Lição da Escola Sabatina - 2ºT/2022
:  Gênesis
Lição 4  — 16 a 22 de abril:   O dilúvio O dilúvio

Sábado à tarde Ano Bíblico: 1Rs 13, 14
Verso para memorizar “Assim como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem”.  (Mt 24:37)
Leituras da semana Gn 6:13–7:10; 2Pe 2:5-9; Gn 7; Rm 6:1-6; Sl 106:4; Gn 8; 9:1-17.
“O Senhor viu que a maldade das pessoas havia se multiplicado na Terra e que todo desígnio do coração delas era continuamente mau” (Gn 6:5). O verbo “viu” leva o leitor de volta a cada passo da criação original; porém, o que Deus viu naquele momento, em vez de tov, “bom”, era ra’, “mau”. É como se o Criador tivesse Se arrependido de ter criado o mundo, o qual estava cheio de ra’ (maldade).
Contudo, o arrependimento de Deus também contém elementos de salvação. A palavra hebraica para “entristecer-se” (nakham) [ou arrepender- se, ARA] é ecoada no nome de Noé (Noakh), que significa “consolo” (Gn 5:29). Assim, a resposta divina a essa maldade apresenta duas funções. Contém a ameaça da justiça, que leva alguns à destruição, e ainda apresenta a promessa de consolo e misericórdia, que leva outros à salvação.
Essa “função dupla” já havia estado presente na situação de Caim e Abel/Sete e por meio do contraste entre as duas linhagens – de Sete (os “filhos de Deus”) e de Caim (os “filhos dos homens”). No caso do dilúvio, apresenta- se novamente quando Deus diferenciou Noé do restante da humanidade.
Domingo, 17 de abril Ano Bíblico: 1Rs 15, 16 Preparação para o dilúvio
1. Leia Gênesis 6:13–7:10. Que lição podemos aprender desse incrível relato da história humana primitiva?
Gn 6:13 Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra. 14 Faze uma arca de tábuas de cipreste; nela farás compartimentos e a calafetarás com betume por dentro e por fora. 15 Deste modo a farás: de trezentos côvados será o comprimento; de cinqüenta, a largura; e a altura, de trinta. 16 Farás ao seu redor uma abertura de um côvado de altura; a porta da arca colocarás lateralmente; farás pavimentos na arca: um em baixo, um segundo e um terceiro. 17 Porque estou para derramar águas em dilúvio sobre a terra para consumir toda carne em que há fôlego de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra perecerá. 18 Contigo, porém, estabelecerei a minha aliança; entrarás na arca, tu e teus filhos, e tua mulher, e as mulheres de teus filhos. 19 De tudo o que vive, de toda carne, dois de cada espécie, macho e fêmea, farás entrar na arca, para os conservares vivos contigo. 20 Das aves segundo as suas espécies, do gado segundo as suas espécies, de todo réptil da terra segundo as suas espécies, dois de cada espécie virão a ti, para os conservares em vida. 21 Leva contigo de tudo o que se come, ajunta-o contigo; ser-te-á para alimento, a ti e a eles. 22 Assim fez Noé, consoante a tudo o que Deus lhe ordenara.

Gn 7:1 Disse o SENHOR a Noé: Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque reconheço que tens sido justo diante de mim no meio desta geração. 2 De todo animal limpo levarás contigo sete pares: o macho e sua fêmea; mas dos animais imundos, um par: o macho e sua fêmea. 3 Também das aves dos céus, sete pares: macho e fêmea; para se conservar a semente sobre a face da terra. 4 Porque, daqui a sete dias, farei chover sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites; e da superfície da terra exterminarei todos os seres que fiz. 5 E tudo fez Noé, segundo o SENHOR lhe ordenara. 6 Tinha Noé seiscentos anos de idade, quando as águas do dilúvio inundaram a terra. 7 Por causa das águas do dilúvio, entrou Noé na arca, ele com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos. 8 Dos animais limpos, e dos animais imundos, e das aves, e de todo réptil sobre a terra, 9 entraram para Noé, na arca, de dois em dois, macho e fêmea, como Deus lhe ordenara. 10 E aconteceu que, depois de sete dias, vieram sobre a terra as águas do dilúvio.

Como Daniel, Noé foi um profeta que predisse o fim do mundo. A palavra hebraica para “arca” (Gn 6:14) é tevah, a mesma palavra emprestada do egípcio e usada para o “cesto” em que Moisés foi escondido e preservado para salvar Israel do Egito (Êx 2:3).
Além disso, alguns observaram na estrutura geral da arca paralelos com a arca do tabernáculo (Êx 25:10). Assim como a arca do dilúvio permitiu a sobrevivência da humanidade, a arca da aliança, sinal da presença de Deus no meio de Israel (Êx 25:22), apontava para a obra divina de salvação em favor de Seu povo.
A frase “conforme tudo o que Deus lhe havia ordenado, assim ele fez” (Gn 6:22) conclui a seção preparatória. O verbo ‘asah, “fez”, referindo-se à ação de Noé, responde ao verbo ‘asah, “faça”, na ordem divina que inicia a seção e é repetido cinco vezes (Gn 6:14-16). Esse eco entre a ordem divina e a ação de Noé sugere obediência absoluta do patriarca ao que Deus lhe tinha dito que fizesse, ‘asah. É interessante que essa frase foi usada no contexto da construção da arca da aliança (Êx 39:32, 42; 40:16).
“Deus deu a Noé as dimensões exatas da arca e instruções claras em relação à sua construção em todos os detalhes. A sabedoria humana não poderia ter concebido uma estrutura de tão grande resistência e durabilidade. Deus foi o Projetista, e Noé o construtor-chefe” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 66 [92]).
Novamente, o paralelo entre as duas “arcas” reafirma sua função redentiva comum. A obediência desse patriarca é, portanto, descrita como parte do plano divino da salvação. Ele foi salvo porque teve fé para fazer o que Deus lhe havia ordenado (ver Hb 11:7). Ele foi um dos primeiros exemplos da fé que se manifesta na obediência, o único tipo de fé que importa (Tg 2:20).
Em suma, embora Noé tivesse encontrado “favor aos olhos do Senhor” (Gn 6:8), foi em resposta a essa graça, já concedida a ele, que o profeta agiu fiel e obedientemente às ordens divinas. Não é assim que todos nós deveríamos agir?

Leia 2 Pedro 2:5-9. Por que apenas a família de Noé foi salva? Que lição aprendemos com a história de Noé a respeito de nosso papel em alertar o mundo sobre o juízo?
Segunda, 18 de abril Ano Bíblico: 1Rs 17-19 O dilúvio
O verbo ‘asah, “fazer”, que se refere às ações de Noé, também é uma palavra- chave no relato da criação em Gênesis (Gn 1:7, 16, 25, 26, 31; 2:2). Os atos de obediência de Noé a Deus são como os atos divinos de criação. O que podemos deduzir dessa ligação é que o dilúvio não tem a ver apenas com o juízo divino sobre a humanidade, mas também com a salvação que Deus nos oferece.
2. Leia Gênesis 7. Por que a descrição do dilúvio lembra o relato da criação? Que lições aprendemos com os paralelos entre esses dois eventos?
Gn 7:1 Disse o SENHOR a Noé: Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque reconheço que tens sido justo diante de mim no meio desta geração. 2 De todo animal limpo levarás contigo sete pares: o macho e sua fêmea; mas dos animais imundos, um par: o macho e sua fêmea. 3 Também das aves dos céus, sete pares: macho e fêmea; para se conservar a semente sobre a face da terra. 4 Porque, daqui a sete dias, farei chover sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites; e da superfície da terra exterminarei todos os seres que fiz. 5 E tudo fez Noé, segundo o SENHOR lhe ordenara. 6 Tinha Noé seiscentos anos de idade, quando as águas do dilúvio inundaram a terra. 7 Por causa das águas do dilúvio, entrou Noé na arca, ele com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos. 8 Dos animais limpos, e dos animais imundos, e das aves, e de todo réptil sobre a terra, 9 entraram para Noé, na arca, de dois em dois, macho e fêmea, como Deus lhe ordenara. 10 E aconteceu que, depois de sete dias, vieram sobre a terra as águas do dilúvio. 11 No ano seiscentos da vida de Noé, aos dezessete dias do segundo mês, nesse dia romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as comportas dos céus se abriram, 12 e houve copiosa chuva sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites. 13 Nesse mesmo dia entraram na arca Noé, seus filhos Sem, Cam e Jafé, sua mulher e as mulheres de seus filhos; 14 eles, e todos os animais segundo as suas espécies, todo gado segundo as suas espécies, todos os répteis que rastejam sobre a terra segundo as suas espécies, todas as aves segundo as suas espécies, todos os pássaros e tudo o que tem asa. 15 De toda carne, em que havia fôlego de vida, entraram de dois em dois para Noé na arca; 16 eram macho e fêmea os que entraram de toda carne, como Deus lhe havia ordenado; e o SENHOR fechou a porta após ele. 17 Durou o dilúvio quarenta dias sobre a terra; cresceram as águas e levantaram a arca de sobre a terra. 18 Predominaram as águas e cresceram sobremodo na terra; a arca, porém, vogava sobre as águas. 19 Prevaleceram as águas excessivamente sobre a terra e cobriram todos os altos montes que havia debaixo do céu. 20 Quinze côvados acima deles prevaleceram as águas; e os montes foram cobertos. 21 Pereceu toda carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de animais domésticos e animais selváticos, e de todos os enxames de criaturas que povoam a terra, e todo homem. 22 Tudo o que tinha fôlego de vida em suas narinas, tudo o que havia em terra seca, morreu. 23 Assim, foram exterminados todos os seres que havia sobre a face da terra; o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus foram extintos da terra; ficou somente Noé e os que com ele estavam na arca. 24 E as águas durante cento e cinqüenta dias predominaram sobre a terra.
Uma leitura atenta do texto sobre o dilúvio revela o uso de muitas palavras e expressões comuns à história da criação: “sete” (Gn 7:2, 3, 4, 10; compare com 2:1-3); “macho e fêmea” (Gn 7:2, 3, 9, 16; compare com Gn 1:27); “Segundo as suas espécies” (Gn 7:14; compare com Gn 1:11, 12, 21, 24, 25); “animais”, “aves”, “animal que rasteja” (ver Gn 7:8, 14, 21, 23; compare com 1:24, 25); e “fôlego de vida” (Gn 7:15, 22; compare com 2:7).
Esses ecos dos relatos da criação ajudam a revelar que o Deus que cria é igual ao Deus que destrói (Dt 32:39), mas também transmitem a mensagem de esperança: o dilúvio foi projetado para ser uma nova criação, a partir das águas, que leva a uma nova existência.
O movimento das águas mostra que esse evento criativo na verdade reverte o ato criativo de Gênesis 1. Em contraste com Gênesis 1, que descreve a separação das águas acima e das águas debaixo do firmamento (Gn 1:7), o dilúvio envolve sua reunificação à medida que se rompem além de suas fronteiras (Gn 7:11). Esse processo carrega uma mensagem paradoxal: Deus teve que destruir o que havia antes para permitir uma nova criação depois. A criação da nova Terra exigiu a destruição da antiga. O evento do dilúvio prefigura a salvação futura do mundo no fim dos tempos: “Vi novo céu e nova Terra, pois o primeiro céu e a primeira Terra passaram, e o mar já não existe” (Ap 21:1; compare com Is 65:17).

O que em nós precisa ser destruído para então ser recriado? (Veja Rm 6:1-6).
Terça, 19 de abril Ano Bíblico: O fim do dilúvio
Gênesis 7:22-24 descreve o efeito avassalador e abrangente das águas: “Assim, foram exterminados todos os seres” “e as águas prevaleceram sobre a terra durante cento e cinquenta dias” (Gn 7:24). Foi nesse contexto de total aniquilação e desesperança que “Deus Se lembrou” (Gn 8:1). Essa frase se encontra no centro das passagens que falam sobre o dilúvio, uma indicação de que essa ideia é a mensagem central do relato.
3. Leia Gênesis 8:1. O que significa a expressão Deus “Se lembrou de Noé”?
Gn 8:1 Lembrou-se Deus de Noé e de todos os animais selváticos e de todos os animais domésticos que com ele estavam na arca; Deus fez soprar um vento sobre a terra, e baixaram as águas.
O verbo zakhar, “lembrar”, significa que Deus não havia Se esquecido; é mais do que mero exercício mental. No contexto bíblico, o “Deus que Se lembra” significa o cumprimento da promessa divina e, com frequência, refere-se à salvação (ver Gn 19:29). No contexto do dilúvio, a expressão “Deus Se lembrou” significa que a chuva “se deteve” (Gn 8:2) e que Noé em breve poderia deixar a arca (Gn 8:16).
Embora não tivesse recebido ordem direta para sair, Noé tomou a iniciativa e enviou primeiramente um corvo, e depois uma pomba, para testar a situação. Finalmente, quando a pomba não voltou, ele entendeu que “as águas que estavam sobre a terra haviam secado. Então Noé removeu a cobertura da arca e olhou” (Gn 8:13).
O comportamento de Noé é rico em lições práticas. Por um lado, ele nos ensina a confiar em Deus, embora Ele ainda não houvesse falado diretamente; por outro lado, a fé não nega o valor de pensar e testar, e não exclui o dever de buscar e ver se o que aprendemos é verdade.
No entanto, Noé só saiu quando Deus lhe disse que saísse (Gn 8:15-19). Mesmo quando soube que era seguro sair, ele ainda confiou em Deus e esperou Seu sinal antes de deixar a arca. “Havendo entrado por ordem de Deus, [Noé] esperou instruções especiais para sair. Finalmente um anjo desceu do Céu, abriu a pesada porta e mandou o patriarca e sua casa saírem à terra e levarem consigo todos os seres vivos” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 77 [105]).

Leia Gênesis 8:1; 19:29 e Salmo 106:4. O que significa a expressão “Deus Se lembrou”? Como Deus lhe mostra que “Se lembra” de você?
Quarta, 20 de abril Ano Bíblico: 1Rs 22, 2Rs 1 A aliança: parte 1
Aquele era o momento em que a aliança prometida deveria se cumprir. “Com você estabelecerei a Minha aliança, e você entrará na arca, você e os seus filhos, a sua mulher, e as mulheres dos seus filhos” (Gn 6:18). Em contraste com a ameaça divina de destruir (Gn 6:17), essa aliança é a promessa de vida.
4. Qual foi a primeira coisa que Noé fez ao sair da arca e por quê? Gn 8:20
Gn 8:20 Levantou Noé um altar ao SENHOR e, tomando de animais limpos e de aves limpas, ofereceu holocaustos sobre o altar.
A exemplo de Adão e Eva, que certamente adoraram a Deus no sábado logo após os seis dias da criação, Noé adorou logo após o dilúvio, outro evento da criação. Porém, há uma diferença entre esses dois atos de adoração. Ao contrário de Adão e Eva, que adoraram ao Senhor de forma direta, Noé teve que recorrer a um sacrifício. Nas Escrituras, essa é a primeira menção de um altar. O sacrifício foi um “holocausto” (‘olah), o mais antigo e frequente. Para Noé, era uma oferta de ação de graças (compare com Nm 15:1-11) a fim de expressar sua gratidão ao Criador, que o salvou.
5. Leia Gênesis 9:2-4. Como o dilúvio afetou a dieta humana? Qual era o princípio por trás das restrições divinas?
Gn 9:2 Pavor e medo de vós virão sobre todos os animais da terra e sobre todas as aves dos céus; tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar nas vossas mãos serão entregues. 3 Tudo o que se move e vive ser-vos-á para alimento; como vos dei a erva verde, tudo vos dou agora. 4 Carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.
Por causa do efeito do dilúvio, os vegetais não estavam mais disponíveis como antes. Portanto, Deus permitiu que os humanos comessem carne animal. Essa mudança na dieta gerou uma mudança na relação entre seres humanos e animais. No relato da criação, humanos e animais compartilhavam a mesma dieta vegetal e não ameaçavam uns aos outros. No mundo pós-diluviano, a matança de animais para alimento acarretou uma relação de medo e pavor (Gn 9:2). Sem dúvida, depois que começaram a se alimentar uns dos outros, humanos e animais desenvolveram um relacionamento bem diferente do que haviam desfrutado no Éden. A tolerância divina, no entanto, tinha duas restrições: nem todos os animais eram adequados para alimento, fato implícito na distinção entre animais “limpos e impuros”, que fazia parte da ordem da criação (ver Gn 8:19, 20; compare com 1:21, 24); eles deviam se abster de consumir sangue, pois a vida está no sangue (Gn 9:4).
Quinta, 21 de abril Ano Bíblico: 2Rs 2, 3 A aliança: parte 2
6. Leia Gênesis 8:21–9:1. Qual é a importância do compromisso de Deus com a preservação da vida? Como as bênçãos divinas cumprem esse compromisso?
Gn 8:21 E o SENHOR aspirou o suave cheiro e disse consigo mesmo: Não tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, porque é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade; nem tornarei a ferir todo vivente, como fiz. 22 Enquanto durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite.

Gn 9:1 Abençoou Deus a Noé e a seus filhos e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra.

O compromisso de Deus em preservar a vida foi um ato da graça, e não o resultado de méritos humanos. O Senhor decidiu fazer isso apesar da maldade humana (Gn 8:21). Gênesis 8:22 diz que, “enquanto durar a Terra”, isto é, enquanto a Terra atual permanecer, as estações virão e passarão e a vida será sustentada. Deus não desistiu de Sua criação.
O texto seguinte, que fala sobre a bênção divina, nos leva de volta à criação original (Gn 1:22, 28; 2:3). O Senhor, em certo sentido, estava dando à humanidade uma chance de recomeçar.
7. Leia Gênesis 9:8-17. Qual é o significado do arco-íris? Como esse sinal da aliança de Deus (Gn 9:13) se relaciona com o outro sinal da aliança, o sábado?
Gn 9:8 Disse também Deus a Noé e a seus filhos: 9 Eis que estabeleço a minha aliança convosco, e com a vossa descendência, 10 e com todos os seres viventes que estão convosco: tanto as aves, os animais domésticos e os animais selváticos que saíram da arca como todos os animais da terra. 11 Estabeleço a minha aliança convosco: não será mais destruída toda carne por águas de dilúvio, nem mais haverá dilúvio para destruir a terra. 12 Disse Deus: Este é o sinal da minha aliança que faço entre mim e vós e entre todos os seres viventes que estão convosco, para perpétuas gerações: 13 porei nas nuvens o meu arco; será por sinal da aliança entre mim e a terra. 14 Sucederá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, e nelas aparecer o arco, 15 então, me lembrarei da minha aliança, firmada entre mim e vós e todos os seres viventes de toda carne; e as águas não mais se tornarão em dilúvio para destruir toda carne. 16 O arco estará nas nuvens; vê-lo-ei e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres viventes de toda carne que há sobre a terra. 17 Disse Deus a Noé: Este é o sinal da aliança estabelecida entre mim e toda carne sobre a terra.
A frase “estabeleço a Minha aliança” é repetida três vezes (Gn 9:9, 11, 17), marcando o clímax e o cumprimento da promessa inicial de Deus (Gn 6:18). Após a seção anterior (Gn 9:1-7), paralela ao sexto dia do relato da criação, está a passagem paralela à seção que fala do sétimo dia do relato da criação, o sábado. Dentro do texto, a repetição da palavra “aliança” por sete vezes estabelece uma ligação com o sábado. Assim como o sábado, o arco-íris é o sinal da aliança (Gn 9:13, 14, 16; compare com Êx 31:12-17). Além disso, como o sábado, o arco-íris tem um alcance universal; isto é, se aplica a todos. Da mesma forma que o sábado, como sinal da criação, é para todos, em todos os lugares, a promessa de que nenhum outro dilúvio mundial virá é para todos, em todos os lugares.

Da próxima vez que você vir um arco-íris, pense nas promessas de Deus para nós. Por que podemos confiar nessas promessas? Como o arco-íris nos ajuda nisso?
Sexta, 22 de abril Ano Bíblico: 2Rs 4, 5 Estudo adicional
É instrutivo comparar a mentalidade e o comportamento das pessoas e o estado do mundo antediluviano com as pessoas em nossos dias. Com certeza, a maldade humana não é um fenômeno novo. Veja os paralelos entre as duas épocas.
“Os pecados que atraíram a vingança sobre o mundo antediluviano existem hoje. O temor de Deus foi banido do coração das pessoas, e Sua lei é tratada com indiferença e desprezo. O grande mundanismo daquela geração é igualado ao da geração que vive atualmente [...]. Deus não condenou os antediluvianos pelo fato de comerem e beberem [...]. Seu pecado consistia em tomar esses dons sem gratidão para com o Doador e se degenerarem, condescendendo com o apetite sem restrições. Não era errado se casar. O matrimônio estava dentro da ordem determinada por Deus; foi uma das primeiras instituições que Ele estabeleceu. Deu instruções especiais sobre essa ordenança, revestindo-a de santidade e beleza. Contudo, essas instruções foram esquecidas, e o casamento foi pervertido e utilizado apenas para satisfazer os desejos carnais. Algo semelhante existe hoje. Aquilo que em si mesmo é lícito é levado ao excesso [...]. Fraude, suborno e roubo ficam impunes entre ricos e pobres. A mídia está repleta de notícias de assassinato e crimes [...]. O quadro que a Inspiração nos dá do mundo antediluviano retrata com fidelidade a condição à qual rapidamente a sociedade moderna caminha. Mesmo agora, no século atual, e nos países que professam ser cristãos, há crimes diariamente cometidos tão hediondos como aqueles pelos quais os pecadores do antigo mundo foram destruídos” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 73, 74 [101, 102]).

Perguntas para consideração:

1 Quais são os traços comuns do mundo pré-diluviano e do nosso? O que nos ensinam sobre a graça de Deus?

2 Alguns dizem que o dilúvio foi um evento local. Qual é o erro dessa ideia? Se isso fosse verdade, cada inundação local (e cada arco-íris) faria de Deus um mentiroso?

Respostas e atividades da semana:

1 Vemos a obediência irrestrita de Noé e a graça de Deus para conosco.

2 Porque há palavras e expressões comuns à história da criação. Deus é misericordioso e não desistiu da humanidade; mesmo o Seu ato de destruição transmite uma mensagem de esperança.

3 Deus não Se esquece de Suas promessas e de Seu povo.

4 Ofereceu um sacrifício a Deus para expressar sua gratidão.

5 Os vegetais não mais estavam disponíveis como antes. Por isso, Deus permitiu que os humanos comessem carne animal; as restrições resguardam a saúde humana.

6 Esse compromisso revela a graça de Deus. O Senhor não desistiu de Sua criação, apesar da maldade humana.

7 O arco-íris é um sinal da aliança que Deus fez com a humanidade de que não destruiria a Terra com água novamente. Esse sinal se relaciona com o sábado, pois também tem alcance universal.

Notas de Ellen G. White Vídeo disponível em espanhol:

NOTAS DE ELENA G. WHITE




Auxiliar Resumo da Lição 4 ESBOÇO Introdução: Muitos questionam a historicidade do relato bíblico sobre o dilúvio, argumentando que tal evento mundial é incompatível com as visões científicas modernas da história natural. No entanto, há um registro de uma inundação colossal nas memórias culturais coletivas de muitos povos distantes uns dos outros, em todo o mundo, e não apenas no antigo Oriente Próximo, Mesopotâmia, Egito e Grécia. Narrativas do dilúvio são encontradas na Índia, China, entre os antigos habitantes da Irlanda, entre os povos maias na Mesoamérica, nativos americanos, povos antigos da América do Sul e da África e até mesmo entre tribos aborígenes da Austrália. O fato de a ciência moderna não conseguir dar sentido ao fenômeno do dilúvio não é uma prova de que esse evento nunca tenha acontecido. O fracasso da ciência moderna em explicar o dilúvio é simplesmente outra evidência dos limites da ciência, especialmente quando se trata de um fenômeno tão sobrenatural como o dilúvio de Gênesis.

Nesta semana, não estudaremos a história bíblica desse evento cósmico para entendê-lo de um ponto de vista científico. Não dispomos de todos os dados para compreender esse fenômeno. À parte da discussão científica, uma série de questões serão debatidas. A questão fundamental diz respeito ao próprio Deus: o que essa história nos ensina sobre o Deus da Bíblia e Seu propósito? O filósofo gnóstico Marcião de Sinope (85 d.C.-160 d.C.) e muitos outros cristãos depois dele usaram o dilúvio para demonstrar que o Deus do AT era um Deus violento e cruel, ao contrário de Jesus, o Deus de amor. Em nosso estudo, veremos que os atos de justiça de Deus também são demonstrações de amor e misericórdia.

COMENTÁRIO

Deus de justiça

Deus de justiça Depois da criação perfeita, ocorreu a queda, e o pecado entrou no mundo. A desobediência que começou com nossos primeiros pais aumentou até que o mundo se encheu de corrupção e maldade. Desde a época de Caim e Abel, a humanidade se dividiu em dois campos. É interessante que cada linhagem genealógica seja definida com base em seu relacionamento com Deus. Enquanto a genealogia de Caim (Gn 4:17-22) é introduzida por sua rejeição a Deus (Gn 4:16), a genealogia de Sete (Gn 5:1-32) é introduzida pela semelhança de Deus (Gn 5:1). Esse contraste explica por que a linhagem de Caim é mais tarde identificada como os filhos dos homens, enquanto a linhagem de Sete é identificada como “os filhos de Deus” (Gn 6:1, 2). Não é de admirar que o Senhor tenha Se preocupado ao observar que as duas linhagens estavam se misturando, produzindo uma nova linhagem genealógica em rebelião aberta contra Deus. A frase “tomaram para si” (Gn 6:2) sugere a intenção dos “filhos de Deus” de substituir e contrariar a atuação divina no casamento, conforme ilustrado pelas palavras “o Senhor Deus formou” a mulher e a levou para Adão (Gn 2:22). Os “filhos de Deus” queriam tomar o lugar de Deus, atitude que se reflete na frase “viram que [...] eram bonitas” (Gn 6:2). Em hebraico, a palavra traduzida como “bonitas” é a mesma palavra tov, “bom”, usada para descrever a reação divina à criação: “viu que isso era bom” (Gn 1:4, 10, 12, 18, 21, 25). Essa substituição de Deus levou os “filhos de Deus” a cometer atos que não mais estavam de acordo com as leis divinas na criação, mas em harmonia com seus próprios desejos pecaminosos.

observar que as duas linhagens estavam se misturando, produzindo uma nova linhagem genealógica em rebelião aberta contra Deus. A frase “tomaram para si” (Gn 6:2) sugere a intenção dos “filhos de Deus” de substituir e contrariar a atuação divina no casamento, conforme ilustrado pelas palavras “o Senhor Deus formou” a mulher e a levou para Adão (Gn 2:22). Os “filhos de Deus” queriam tomar o lugar de Deus, atitude que se reflete na frase “viram que [...] eram bonitas” (Gn 6:2). Em hebraico, a palavra traduzida como “bonitas” é a mesma palavra tov, “bom”, usada para descrever a reação divina à criação: “viu que isso era bom” (Gn 1:4, 10, 12, 18, 21, 25). Essa substituição de Deus levou os “filhos de Deus” a cometer atos que não mais estavam de acordo com as leis divinas na criação, mas em harmonia com seus próprios desejos pecaminosos.

Aliás, o uso do plural “mulheres” sugere a introdução da poligamia, e a frase “aquelas que, entre todas, mais lhes agradaram” sugere atividades sexuais selvagens e descontroladas fora da lei divina. A frase “tomaram para si mulheres [...] que [...] mais lhes agradaram” (Gn 6:2) tem até a conotação de satisfação própria, violência e estupro (ver Gn 39:14, 17). Todos esses atos sexuais não eram apenas uma rejeição a Deus, mas também abuso de mulheres.

O texto bíblico relata que Deus viu a maldade (Gn 6:5). Essa é a segunda vez que as Escrituras apresentam Deus como Aquele que “vê” (compare com Gn 6:1-4). Paralelamente ao relato da criação, o ato divino de ver segue imediatamente a palavra divina: “O Senhor disse [...]” (Gn 6:3). “O Senhor viu que a maldade das pessoas havia se multiplicado” (Gn 6:5). Esse verso é um segundo eco ao refrão da criação, “E Deus viu que isso era bom” (Gn 1:10). Mas nesse caso o “bom” original (tob) da criação de Deus foi substituído pelo que lhe é contrário: a maldade (ra’ah). O comentário divino seguinte foi uma avaliação trágica da situação. O aumento da maldade não se referia apenas a algumas ações específicas ou atos malignos ocasionais; descrevia uma condição completa e definitiva e dizia respeito à raiz, às motivações profundas do coração humano onde Deus encontrou o mal arraigado. A humanidade havia atingido o ponto sem volta. Deus devia intervir com um dilúvio mundial para preservar um remanescente da raça humana da degradação moral completa e, portanto, da extinção.

O Deus de amor

Nessa intervenção divina, a linguagem evoca a criação. Deus lamentou ter criado o ser humano. O “arrependimento” divino está associado à tristeza divina. Deus “ficou triste […] e isso Lhe pesou no coração” (Gn 6:6). O verbo hebraico ‘atsab (“entristecer”) é o oposto de alegria (Ne 8:10) e se refere à dor mental (Gn 3:16). A emoção divina tem a ver com Seu amor pelos humanos. É significativo que o verbo hebraico nakham, traduzido como “ficou triste” (Gn 6:6), contenha a nuance positiva de “graça” e “amor”. Portanto, essa tradução para a palavra hebraica nakham não explica totalmente os sentimentos de Deus. O fato de o Senhor ter ficado triste ou Se arrependido (Gn 6:6, ARA, ARC e NVI) não significa que o Criador tivesse mudado de ideia; em vez disso, contém elementos de graça e “conforto”. Assim, a palavra nakham aparece às vezes em paralelo com a palavra shub, “mudar de ideia” (Jr 4:28; Jn 3:9).

O uso da palavra nakham trouxe esperança ao cenário – a perspectiva de salvação por meio do dilúvio. A emoção de Deus revelou Seu amor pelos humanos. No entanto, Ele expressou Seu amor por meio do juízo. A resposta divina à maldade por meio da destruição é um ato de amor. A palavra hebraica makhah, “destruir”, é apresentada em um jogo de palavras com a palavra anterior nakham (“tristeza”, “conforto”), que evoca a tristeza e a compaixão divinas para com a humanidade por meio de Noé. Enquanto nakham sugere a face positiva do juízo, makhah revela sua face negativa. Além disso, a palavra makhah pertence à linguagem do juízo. Significa, mais precisamente, “apagar”. Esse “apagamento” representa uma destruição física que opera na reversão da criação, desfazendo os atos criativos de Deus. Mas, além da destruição física, esse ato de julgamento também se refere a ser espiritualmente apagado do livro da vida (Êx 32:32, 33; Sl 69:28, 29). No pensamento bíblico, amor e justiça estão juntos (Mq 6:8).

Deus de sabedoria

A combinação de amor e justiça é precisamente o que torna a sabedoria de Deus o que ela é. O Senhor não salva apenas por meio de Sua boa vontade e amor. Os detalhes da construção da arca (Gn 6:14-22), que permitiriam a sobrevivência de todos os que nela entrassem, eram evidências tangíveis da séria atenção de Deus à realidade da vida. Esses detalhes arquitetônicos minuciosos não apenas testemunharam a realidade histórica da construção da arca; eles revelaram a preocupação divina com o sucesso da operação. Deus deu instruções precisas para esse propósito. A madeira resinosa da árvore, usada para construir a estrutura da arca, e sua seiva foram projetadas para tornar a arca impermeável por dentro e por fora. Uma janela deveria estar no topo da arca para proporcionar uma passagem de luz e ar, situada a um côvado da borda do telhado. Provavelmente era algum tipo de treliça construída ao longo da linha do telhado, trazendo luz de tal forma que os diferentes aposentos dentro da arca eram iluminados e ventilados.

O Deus que cuidou da construção da arca é o mesmo que mais tarde deu instruções detalhadas para a vida religiosa e salvação espiritual por meio dos sacrifícios do serviço do santuário. Na verdade, existem muitos paralelos entre as plantas apresentadas para a arca e o tabernáculo. As dimensões da arca (Gn 6:15) foram dadas de acordo com o mesmo padrão e com as mesmas palavras usadas para a construção da arca no tabernáculo (Êx 25:10).

Qual era o tamanho da arca? Se o côvado fosse igual a 18 polegadas ou 45 centímetros, 300 côvados para o comprimento da arca seriam 450 pés ou mais de 137 metros; 50 côvados para sua largura equivaleriam a 75 pés, ou 22 metros; e 30 côvados de altura teriam igualado a 45 pés, ou 13 metros. Essas medidas não têm significado especial, simbólico ou espiritual; elas simplesmente sugerem a magnitude do tamanho da embarcação, que era grande o suficiente para acomodar os animais e humanos a bordo. Mas os muitos paralelos entre a arca e o tabernáculo têm um significado profundo: O Deus que salva espiritualmente, Jesus Cristo, é o mesmo Deus Criador que nos salva física e materialmente.

Pergunta para discussão e reflexão: Como as três dimensões divinas – justiça, amor e sabedoria – se relacionam entre si teologicamente?

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Não matarás. A lição essencial do dilúvio é a afirmação da vida. Após a destruição de Sua criação e a morte de todos os humanos fora da arca, Deus disse sim à vida. Nesse contexto, Ele ordenou aos humanos não apenas que se multiplicassem, mas também que não tirassem a vida, pois a vida é sagrada. Esse princípio se aplica primeiro aos animais. Portanto, a tolerância divina para algum consumo de carne, considerando a situação pós-diluviana, caracterizou-se pelo mandamento de não comer carne com sangue, pois o sangue representa a vida (Gn 9:4). Mas, no caso dos seres humanos, a aplicação divina é absoluta. Visto que Deus criou os humanos à Sua imagem, seu sangue não deve ser derramado (Gn 9:5, 6). Embora a vida dos animais seja sagrada, conforme indicado na proscrição do sangue, é significativo que apenas a vida humana exija uma prestação de contas perante Deus (Gn 9:5).

A língua hebraica possui vários verbos para se referir ao ato de matar. Todos se aplicam a humanos e a animais, exceto um, o verbo ratsakh, que se aplica apenas a humanos. É interessante o fato de ser o verbo ratsakh, “matar”, “assassinar”, o verbo usado nos Dez Mandamentos (Êx 20:13). A nuance desse uso não diferencia entre o caso de assassinato e outros casos, mas entre o objeto que é morto – humanos e animais. Portanto, o sexto mandamento não deve ser traduzido como “não matarás”, implicando apenas o caso específico de um ato criminoso, mas “não matarás seres humanos” em sentido absoluto.

Pergunta para reflexão: Como você aplica esse princípio à situação do serviço militar ou à questão da pena de morte?




Informativo Um homem morto (parte 2)
Depois de trabalhar onze anos como colportor, recebi uma bolsa para estudar teologia na Universidade de Solusi, em Zimbábue. Entretanto, com quatro meses de aulas, minha esposa, Fortunate, e eu nos ferimos gravemente em um acidente de carro. Muitos milagres aconteceram que, até hoje, não compreendo. Eu não entendo como minha esposa e eu sobrevivemos a uma colisão frontal. Estávamos sentados à frente, mas os passageiros não sobreviveram.

Também não entendi porque não fiquei paralítico. Quando comecei os exercícios de fisioterapia, o fisioterapeuta perguntou: “Você é um homem de oração?” Respondi-lhe: “Sim, por quê?” Ele explicou: “Este raio-X mostra que você deveria estar paralisado do pescoço para baixo. Normalmente, uma pessoa com um raio-X como este estaria morta. Preciso ser muito cuidadoso com você. Tenho medo.”

Eu não entendo a chegada rápida da ambulância na cena do acidente. O gerente da mina de ouro local estava dirigindo um caminhão guincho atrás de nosso carro e viu o acidente. Imediatamente, chamou uma enfermeira que trabalhava na mina e pediu que ela chamasse imediatamente a ambulância da mina.

Também não entendo como recebi uma bolsa da igreja para estudar na Solusi três meses antes do acidente. Sem a bolsa, minha esposa e eu não receberíamos assistência médica e talvez morreríamos. Nossas contas do hospital alcançaram 36 mil dólares, uma soma enorme para Zimbábue.

Não entendo porque o único cirurgião ortopédico qualificado para operar meu pescoço no Zimbábue estava disponível no dia da minha cirurgia de emergência. Ele havia reservado um voo de avião para a França no mesmo dia do procedimento. No entanto, operou-me pela manhã e pegou seu voo naquela tarde.

Então, perguntei a Deus: “Por que Tu nos preservaste? Deveríamos ter morrido instantaneamente!” Tenho duas respostas possíveis. Talvez minha esposa e eu não estivéssemos preparados espiritualmente para morrer e Deus nos deu outra chance de estarmos prontos para a manhã da ressurreição. Ou, talvez Deus nos poupou, porque ainda temos trabalho a fazer em Sua vinha. Certo é que minha vida de oração mudou desde o acidente. Oro mais vezes e peço a Deus que me dê forças para fazer boas ações o tempo todo. Peço-Lhe que trabalhe em quaisquer fraquezas que eu tenha, para que eu esteja preparado, caso morra a qualquer momento.

Também peço que Ele me ajude a não perder o desejo de para fazer a Sua vontade. Oro sempre: “Dá-me forças e zelo, para que eu possa cumprir o que desejas que eu faça em Tua obra”. Às vezes, cometo erros, mas sempre vou a Deus e confesso: “Sinto muito por ter errado. Eu não consigo me controlar sem o Seu amparo. Dê-me forças, Senhor.” Oro para que meu relacionamento com Deus seja sempre bom. “Deixe-me fazer o que o Senhor quer que eu faça. Ajude-me a não perder o desejo de estar ao Seu lado.” Não sei como Deus operou o milagre no dia do acidente, 23 de dezembro de 2015. Mas eu sei que ainda estou aqui – e servirei a Ele todos os meus dias.

Em 2015, parte da oferta trimestral foi destinada à Universidade de Solusi, a fim de ampliar a capacidade do refeitório, de 500 para mil assentos. Muito agradecemos pelas ofertas que permitem a escolas adventistas como Solusi preparar pessoas com o objetivo de proclamar ao mundo a vinda de Jesus.

Informações adicionais

Peça que um homem apresente esta história na primeira pessoa. Assista ao vídeo sobre Alfred YouTube: bit.ly/Eugene-Fransch. Faça o download das fotos no Facebook: bit.ly/fb-mq. Para outras notícias do Informativo Mundial das Missões e informações sobre a Divisão Sul-Africana Oceano Índico: bit.ly/sid-2022.

Esta história ilustra o Objetivo de Liderança no 8 do plano estratégico da Igreja Adventista “I Wil Go” (Eu irei): “fortalecer o discipulado de pastores, professores e outros obreiros da linha de frente e oferecer oportunidades periódicas de crescimento.” O projeto trimestral da Universidade de Solusi ilustra o objetivo missionário no 4: “fortalecer as instituições adventistas na defesa da liberdade, saúde integral e esperança através de Jesus, restaurando pessoas à imagem de Deus.” Saiba mais sobre o plano estratégico em IWillGo2020.org.


Comentário Lição da Escola Sabatina nº 4/2ºT/2022 Lição da Escola Sabatina
nº 4/2ºT/2022
Autor: Wilian S. Cardoso
Editoração: André Oliveira Santos
andre.oliveira@cpb.com.br
Revisora: Josiéli Nóbrega
Escrever sobre o Dilúvio não é uma tarefa tão fácil, porque há uma profusão de literatura sobre esse tema, o que torna difícil saber sobre o que falar. Além disso, uma vez que há tantos escritos relacionados a esse tópico, faz parecer redundante a produção de mais um comentário sobre o tema. Seja como for, meu intuito é destacar aqui três perspectivas que podem soar de forma singular, mas, ao mesmo tempo, relevante.

O Dilúvio da perspectiva de Satanás

Ao pensarmos nas palavras de Gênesis 3:15, lembramos da promessa divina e de Sua misericórdia. No entanto, às vezes, somos inclinados a esquecer que essas palavras, na verdade, foram primeiramente destinadas à serpente, a saber – Satanás. E, pensando sobre isso, poderíamos questionar que, se essas palavras causaram um impacto profundo sobre os seres humanos, não teriam elas causado igualmente algum tipo de reação sobre o inimigo de Deus? Afinal, sua sentença de morte foi decretada ali e algum tipo de resposta ou defesa deveria ser esperada naturalmente de qualquer ser vivo prestes a perder a vida. E, claramente, os eventos que se seguem apontam que sim. De fato, houve uma reação satânica ante a realidade dessa promessa. É possível que Satanás tivesse determinado que ele não permitiria que isso ocorresse. Em outras palavras, ele faria o possível para impedir o cumprimento desse evento escatológico. E o primeiro plano que ele elaborou, obviamente, foi obliterar a existência da potencial descendência ameaçadora. É precisamente isso que vemos em Gênesis 4, através da morte de Abel pelas mãos de Caim. Ou seja, uma vez que o Descendente não existisse, a promessa jamais poderia ser cumprida. O estabelecimento de uma cidade por parte de Caim (4:17), seguido do relato sobre sua genealogia, que apresenta seus descendentes que têm o domínio de técnicas especiais (4:20-22), cria um efeito de suspense literário sugerindo que aparentemente o mal estivesse a triunfar. Contudo, o capítulo termina com ares de esperança, ao declarar com apenas 2 versos que uma nova descendência surge e o nome de Deus começa a ser invocado (Gn 4:25-26).

O plano diabólico é frustrado e, obviamente, continuar com ele teria sido uma ideia tola, pois sempre que um descendente fosse destruído, um novo surgiria e assim ad infinitum. Satanás parece que partiu para um plano B. No lugar de destruir fisicamente a descendência, melhor seria, em vida, corromper todos os descendentes, unindo-os em casamento e assim minando sua moralidade pelo afastamento de Deus (Gn 6:1, 2). Dessa forma, toda a genealogia dos adoradores de Deus (Gn 5) seria extinta. E é a partir disso que a história do Dilúvio começa.

A genealogia do capítulo 5 relata que os seres humanos possuíam uma extensa longevidade, sugerindo que eles podiam ter centenas de filhos ao longo da vida (5:4, 7, etc.). Isso implica que a quantidade de pessoas habitando na Terra possivelmente fosse gigantesca (6:1). Contudo, desse mar de pessoas, parece que somente um homem permanecia íntegro diante de Deus – Noé (6:8, 9). O texto anuncia que o plano satânico de corromper toda descendência existente e assim impedir a realização das palavras divinas de Gênesis 3:15 está prestes a se tornar perfeito (6:12). A corrupção de Noé implicaria a perdição de toda a sua família e o fim de toda esperança. Mas antes que isso pudesse se tornar uma realidade, nos minutos finais do conflito, Deus apareceu com um plano inverso ao de Satanás. Se primeiro seu plano foi de morte (Abel), e depois a corrupção da vida (habitantes da Terra), a resposta divina foi primeiro a geração de vida (Sete). Porém, agora, o plano foi a destruição dela (habitantes da Terra). A tristeza divina (6:6), portanto, se deve ao fato da decisão que Ele precisava tomar a fim de frustrar o plano satânico, a saber, destruir a criação. No entanto, diferentemente das ações implacáveis de Satanás, Deus ofereceu misericórdia antes de executar qualquer juízo (6:3).

O Dilúvio da perspectiva da água

Esse mesmo contraste de ações é igualmente percebido no desenvolvimento de toda a execução do Dilúvio. Vendo a extrema corrupção da Terra, Deus anunciou a Noé que Ele causaria um Dilúvio de águas sobre ela (6:17).

A água é um elemento fundamental da criação (Gn 1:6-9). E, na visão bíblica, o controle das águas é prerrogativa exclusiva de Deus (Jó 9:8; 38:16; Sl 77:20; Hc 3:15; Is 51:9, 10).

Depois da criação em Gênesis 1, a palavra hebraica mayim (“água”) ocorre novamente apenas na narrativa do Dilúvio (Gn 6–9). Esse elemento da criação aparece agora como a figura mais importante no relato do processo de “descriação” do planeta. Como no início, quando tudo veio da água, outra vez o mesmo elemento é usado por Deus, mas aqui para reverter todo o processo de criação. Essa inversão é percebida por meio do movimento da palavra “água” no fluxo da história. A água cai (7:6, 7, 10) e há uma unificação das águas de cima com as águas de baixo (7:11), que anteriormente haviam sido separadas (1:6-8). Desse modo, a água sobe cobrindo toda a superfície da terra, restaurando assim o planeta à sua condição caótica de pré-criação de caos aquático (7:17-20, 24; cf. 1:2).

Em seguida, o processo criativo é reiniciado em etapas muito semelhantes às descritas em Gênesis 1:

1) um vento da parte de Deus que passa sobre as águas (8:1);

2) as águas diminuem e a terra aparece (8:3, 5);

3) animais voadores retornam ao seu habitat (8:7-11);

4) a vegetação floresce novamente (8:11).

É significativo que a figura da água ocorra em relação aos mesmos elementos criados em Gênesis 1 e sirva como um tipo de fio que costura e conecta os dois textos, levando-nos de volta à criação.

Assim, a criação e o Dilúvio estão conectados por meio de paralelos e padrões em comum. E a imagem da água parece executar um papel importante em revelar tais paralelos. Por meio deles, algumas ideias comuns e opostas podem ser percebidas. A água como elemento-chave e os mesmos padrões de ideias são repetidos também em outras histórias, principalmente aquelas que falam sobre os grandes feitos divinos, tais como o êxodo e o retorno da Babilônia.

Conceitos contrastantes também podem ser entendidos na imagem da água servindo como o instrumento da criação, assim como de destruição, os quais, no Dilúvio, são metaforizados nas ideias de salvação e julgamento. Pode-se ver uma imagem da justiça divina relacionada à água – aqueles que são dignos recebem Sua misericórdia e os indignos Sua ira através do uso do mesmo instrumento. Então, o que é uma recriação ou um novo começo para alguns, é destruição e fim para outros.

O Dilúvio da perspectiva do arco

Após o fim dessa tragédia global, Deus anuncia que colocou Seu arco sobre as nuvens (9:13). A palavra hebraica qeshet (“arco”) pode se referir ao arco-íris, mas primariamente significa um arco de flechas. Esse é o “sinal” que as pessoas podem ver diretamente sempre que houver uma manifestação da água a partir dos céus. A linguagem usada, contudo, pretende sugerir o pendurar simbólico de uma arma de batalha ao fim de uma guerra, como prenúncio de paz. Deus estava assumindo a responsabilidade de criar o arco-íris como um símbolo de Sua promessa a toda a criação, de nunca mais enviar um dilúvio global. Embora o arco-íris seja um fenômeno científico e meteorológico, Gênesis afirma que Deus é responsável por todos os fenômenos universais. Deus escolheu fazer com que o arco-íris funcionasse como um símbolo de Sua promessa de aliança. O arco de Deus nas nuvens é um lembrete eterno de Sua promessa de graça, misericórdia e paz para toda a humanidade.

Ainda que tenha sido uma decisão extremamente difícil e dura, o Dilúvio trouxe salvação para a continuidade da promessa de Gênesis 3:15 e, consequentemente, para a renovação da esperança de que a palavra de Deus é fiel, invencível e inexorável. Nem Satanás nem qualquer criatura pode interferir ou sobrepor seus planos pessoais aos desígnios divinos. As águas da criação ao Dilúvio, do Mar Vermelho ao batismo, são instrumentos de libertação e de criação de uma nova realidade para todos aqueles que aceitam viver pela palavra de Deus. Além disso, toda a Sua justiça é sempre temperada com misericórdia que pode ser sentida nas marcas da aliança que Ele deixou pela Terra: o sábado, o arco-íris, a circuncisão, a lei, etc., a fim de que não nos esqueçamos de Seu sublime amor e cuidado por nós, e de que Ele faz guerra contra o pecado e o mal para que a paz seja o alento final de todo aquele que confia no Seu plano.

Referências:

(1) BROWN, Sherri. “Water Imagery and the Power and Presence of God in the Gospel of John”, in Theology Today , [s.l.], v. 72, n. 3, Out. 2015, p. 290. (2) PAULIEN, Jon. The Deep Things of God . Hagerstown, MD: Review and Herald, 2004, p. 35.

Conheça o autor dos comentários para este trimestre: Wilian Cardoso é casado com Carem Cardoso. É pai de Sarah Cardoso, Noah Cardoso e de Shai Cardoso. É bacharel em Teologia e Filosofia, mestre em Interpretação Bíblica e em Estudos do Antigo Oriente Médio. Trabalhou como pastor da Comunidade Judaico-Adventista de Manaus por 8 anos e também como professor de Filosofia e Sociologia. Atualmente trabalha como professor para o Israel Institute of Biblical Studies filiado à Universidade Hebraica de Jerusalém e se dedica à família e à vida acadêmica.