Lição da Escola Sabatina - 2ºT/2022
:  Gênesis
Lição 11  — 04 a 10 de junho :   José, mestre dos sonhos José,
mestre dos sonhos

Sábado à tarde Ano Bíblico: Jó 8–10
Verso para memorizar “Os irmãos de José disseram uns aos outros: 'Lá vem o grande sonhador!' ”.   (Gn 37:19)
Leituras da semana Leituras da semana: Gn 37; Mt 20:26; At 7:9; Gn 38; 39; 40:1–41:36.
A história de José (Gn 37–50) compreende a última seção do livro de Gênesis, desde seus primeiros sonhos em Canaã (Gn 37:1-11) até sua morte no Egito (Gn 50:26). Ele ocupa mais espaço no livro de Gênesis do que qualquer outro patriarca. Embora fosse apenas um dos filhos de Jacó, ele é apresentado em Gênesis como um grande patriarca, como Abraão, Isaque e Jacó.
Como veremos, também, a vida de José destaca duas verdades teológicas importantes: primeiro, Deus cumpre Suas promessas; segundo, Ele pode transformar o mal em bem.
No estudo desta semana, vamos nos concentrar no início da vida de José. Ele é o filho favorito de Jacó, que ironicamente é apelidado de ba’al hakhalomot, o “sonhador” (Gn 37:19), cujo significado literal é “mestre dos sonhos”, o que sugere que ele seria um especialista em sonhos. Esse título lhe cabe muito bem, porque ele não só recebia, entendia e interpretava sonhos proféticos, mas também os realizava em sua vida.
Nesses capítulos, veremos, novamente, que a providência de Deus é confirmada, apesar da maldade e da perversidade do coração humano.
Domingo, 05 de junho Ano Bíblico: Jó 11-14 Problemas familiares
Jacó finalmente se estabeleceu na terra. Enquanto Isaque era apenas “um forasteiro”, o texto diz que Jacó “habitou na terra” (Gn 37:1). No entanto, foi enquanto se estabelecia que os problemas começaram, dessa vez na família. A polêmica não dizia respeito à posse da terra nem ao uso de um poço; era, principalmente, espiritual.
1. Leia Gênesis 37:1-11. Que dinâmica familiar predispôs os irmãos de José a odiá-lo tanto?
Gn 37:1 Habitou Jacó na terra das peregrinações de seu pai, na terra de Canaã. 2 Esta é a história de Jacó. Tendo José dezessete anos, apascentava os rebanhos com seus irmãos; sendo ainda jovem, acompanhava os filhos de Bila e os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e trazia más notícias deles a seu pai. 3 Ora, Israel amava mais a José que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica talar de mangas compridas. 4 Vendo, pois, seus irmãos que o pai o amava mais que a todos os outros filhos, odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente. 5 Teve José um sonho e o relatou a seus irmãos; por isso, o odiaram ainda mais. 6 Pois lhes disse: Rogo-vos, ouvi este sonho que tive: 7 Atávamos feixes no campo, e eis que o meu feixe se levantou e ficou em pé; e os vossos feixes o rodeavam e se inclinavam perante o meu. 8 Então, lhe disseram seus irmãos: Reinarás, com efeito, sobre nós? E sobre nós dominarás realmente? E com isso tanto mais o odiavam, por causa dos seus sonhos e de suas palavras. 9 Teve ainda outro sonho e o referiu a seus irmãos, dizendo: Sonhei também que o sol, a lua e onze estrelas se inclinavam perante mim. 10 Contando-o a seu pai e a seus irmãos, repreendeu-o o pai e lhe disse: Que sonho é esse que tiveste? Acaso, viremos, eu e tua mãe e teus irmãos, a inclinar-nos perante ti em terra? 11 Seus irmãos lhe tinham ciúmes; o pai, no entanto, considerava o caso consigo mesmo.
Desde o início, entendemos que José, o filho da velhice de Jacó (Gn 37:3), tinha uma relação especial com seu pai, que “o amava mais do que todos os outros filhos” (Gn 37:4). Ele chegou a fazer para ele “uma túnica talar” (Gn 37:3), vestimenta de príncipe (2Sm 13:18), uma indicação da intenção secreta de Jacó de elevar José, o primeiro filho de Raquel, à condição de primogênito.
O futuro confirmaria os desejos de Jacó, pois José recebeu os direitos de primogênito (1Cr 5:2). Não é de admirar, então, que seus irmãos o odiassem tanto e não pudessem nem mesmo ter conversas pacíficas com ele (Gn 37:4).
Além disso, José levava relatórios ruins a seu pai sobre qualquer comportamento repreensível de seus irmãos (Gn 37:2). Ninguém gosta de delatores.
Então, quando José compartilhou seus sonhos, sugerindo que Deus o colocaria em uma posição mais elevada que seus irmãos, que eles se curvariam diante dele, eles o odiaram ainda mais. O caráter profético genuíno dos sonhos é confirmado pela repetição (ver Gn 41:32). Embora Jacó tivesse repreendido abertamente seu filho (Gn 37:10), guardou esse incidente na mente, refletindo sobre seu significado e esperando que se cumprisse (Gn 37:11). Talvez, no íntimo, o pai acreditasse que esses sonhos pudessem significar algo. E estava certo, por mais que não pudesse saber disso naquele momento.

Leia Mateus 20:26, 27.
Mt 20:26 Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; 27 e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo.

Que princípio crucial é revelado nessa passagem, e como podemos aprender a manifestar em nossa própria vida o que ela ensina?

Segunda, 06 de junho Ano Bíblico: Jó 15-17 O ataque a José
Por mais horríveis que tenham sido os eventos que se seguiram, não são difíceis de compreender. Estar tão perto de alguém que você odeia, e até mesmo ter parentesco, levaria inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, a problemas.
2. Leia Gênesis 37:12-36. Até que ponto um coração não regenerado pode ser perigoso e mau, e o que ele pode levar qualquer um de nós a fazer?
Gn 37:12 E, como foram os irmãos apascentar o rebanho do pai, em Siquém, 13 perguntou Israel a José: Não apascentam teus irmãos o rebanho em Siquém? Vem, enviar-te-ei a eles. Respondeu-lhe José: Eis-me aqui. 14 Disse-lhe Israel: Vai, agora, e vê se vão bem teus irmãos e o rebanho; e traze-me notícias. Assim, o enviou do vale de Hebrom, e ele foi a Siquém. 15 E um homem encontrou a José, que andava errante pelo campo, e lhe perguntou: Que procuras? 16 Respondeu: Procuro meus irmãos; dize-me: Onde apascentam eles o rebanho? 17 Disse-lhe o homem: Foram-se daqui, pois ouvi-os dizer: Vamos a Dotã. Então, seguiu José atrás dos irmãos e os achou em Dotã. 18 De longe o viram e, antes que chegasse, conspiraram contra ele para o matar. 19 E dizia um ao outro: Vem lá o tal sonhador! 20 Vinde, pois, agora, matemo-lo e lancemo-lo numa destas cisternas; e diremos: Um animal selvagem o comeu; e vejamos em que lhe darão os sonhos. 21 Mas Rúben, ouvindo isso, livrou-o das mãos deles e disse: Não lhe tiremos a vida. 22 Também lhes disse Rúben: Não derrameis sangue; lançai-o nesta cisterna que está no deserto, e não ponhais mão sobre ele; isto disse para o livrar deles, a fim de o restituir ao pai. 23 Mas, logo que chegou José a seus irmãos, despiram-no da túnica, a túnica talar de mangas compridas que trazia. 24 E, tomando-o, o lançaram na cisterna, vazia, sem água. 25 Ora, sentando-se para comer pão, olharam e viram que uma caravana de ismaelitas vinha de Gileade; seus camelos traziam arômatas, bálsamo e mirra, que levavam para o Egito. 26 Então, disse Judá a seus irmãos: De que nos aproveita matar o nosso irmão e esconder-lhe o sangue? 27 Vinde, vendamo-lo aos ismaelitas; não ponhamos sobre ele a mão, pois é nosso irmão e nossa carne. Seus irmãos concordaram. 28 E, passando os mercadores midianitas, os irmãos de José o alçaram, e o tiraram da cisterna, e o venderam por vinte siclos de prata aos ismaelitas; estes levaram José ao Egito. 29 Tendo Rúben voltado à cisterna, eis que José não estava nela; então, rasgou as suas vestes. 30 E, voltando a seus irmãos, disse: Não está lá o menino; e, eu, para onde irei? 31 Então, tomaram a túnica de José, mataram um bode e a molharam no sangue. 32 E enviaram a túnica talar de mangas compridas, fizeram-na levar a seu pai e lhe disseram: Achamos isto; vê se é ou não a túnica de teu filho. 33 Ele a reconheceu e disse: É a túnica de meu filho; um animal selvagem o terá comido, certamente José foi despedaçado. 34 Então, Jacó rasgou as suas vestes, e se cingiu de pano de saco, e lamentou o filho por muitos dias. 35 Levantaram-se todos os seus filhos e todas as suas filhas, para o consolarem; ele, porém, recusou ser consolado e disse: Chorando, descerei a meu filho até à sepultura. E de fato o chorou seu pai. 36 Entrementes, os midianitas venderam José no Egito a Potifar, oficial de Faraó, comandante da guarda.
Os irmãos odiavam José porque tinham ciúmes do favor de Deus (At 7:9), confirmado a cada etapa do seguinte curso de eventos. Quando José se perdeu, um homem o encontrou e o conduziu (Gn 37:15). Quando os irmãos de José planejaram matá-lo, Rúben interveio e sugeriu que fosse jogado em uma cova (Gn 37:20-22).
É difícil imaginar o tipo de ódio expresso aqui, especialmente por alguém de sua própria casa. Como esses jovens podem ter feito algo tão cruel? Eles não pensaram nem por um momento sobre como isso impactaria seu próprio pai? Por mais ressentimento que pudessem ter em relação ao pai por haver favorecido José, fazer isso com um de seus filhos era desprezível. Que manifestação poderosa da maldade do ser humano!
“No entanto, alguns deles estavam inquietos e não sentiam a satisfação que haviam esperado de sua vingança. Logo viram um grupo de viajantes se aproximando. Era uma caravana de ismaelitas de além do Jordão, a caminho do Egito, com especiarias e outras mercadorias. Judá sugeriu então que vendessem seu irmão àqueles mercadores gentios, em vez de o deixarem morrer. Assim, ele estaria fora do seu caminho, e não seriam culpados do sangue dele, ‘afinal’, insistiu, ‘é nosso irmão, é nosso próprio sangue’” (Gn 37:27, NVI; Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 172 [211]).
Depois de terem lançado José no poço, planejando matá-lo mais tarde, uma caravana passou e Judá propôs a seus irmãos que vendessem José. Ele foi vendido aos midianitas (Gn 37:26-28), e estes o venderam a alguém no Egito (Gn 37:36), antecipando assim sua glória futura.

Por que é tão importante buscar o poder de Deus para mudar os maus traços de caráter antes que se manifestem em algumas atitudes que você nunca imaginaria ter?
Terça, 07 de junho Ano Bíblico: Jó 18, 19 Judá e Tamar
Essa história não está fora de lugar. Aconteceu após a venda de José no Egito (Gn 38:1) e é coerente com o fato de que Judá havia acabado de deixar seus irmãos, o que aponta para seu desacordo com eles. Além disso, o texto compartilha uma série de palavras e temas comuns com o capítulo anterior e traz a mesma lição teológica: um ato mau que se tornaria um acontecimento positivo ligado à salvação.
3. Leia Gênesis 38. Compare o comportamento de Judá com o de Tamar. Qual dos dois é o mais justo e por quê?
Gn 38:1 Aconteceu, por esse tempo, que Judá se apartou de seus irmãos e se hospedou na casa de um adulamita, chamado Hira. 2 Ali viu Judá a filha de um cananeu, chamado Sua; ele a tomou por mulher e a possuiu. 3 E ela concebeu e deu à luz um filho, e o pai lhe chamou Er. 4 Tornou a conceber e deu à luz um filho; a este deu a mãe o nome de Onã. 5 Continuou ainda e deu à luz outro filho, cujo nome foi Selá; ela estava em Quezibe quando o teve. 6 Judá, pois, tomou esposa para Er, o seu primogênito; o nome dela era Tamar. 7 Er, porém, o primogênito de Judá, era perverso perante o SENHOR, pelo que o SENHOR o fez morrer. 8 Então, disse Judá a Onã: Possui a mulher de teu irmão, cumpre o levirato e suscita descendência a teu irmão. 9 Sabia, porém, Onã que o filho não seria tido por seu; e todas as vezes que possuía a mulher de seu irmão deixava o sêmen cair na terra, para não dar descendência a seu irmão. 10 Isso, porém, que fazia, era mau perante o SENHOR, pelo que também a este fez morrer. 11 Então, disse Judá a Tamar, sua nora: Permanece viúva em casa de teu pai, até que Selá, meu filho, venha a ser homem. Pois disse: Para que não morra também este, como seus irmãos. Assim, Tamar se foi, passando a residir em casa de seu pai. 12 No correr do tempo morreu a filha de Sua, mulher de Judá; e, consolado Judá, subiu aos tosquiadores de suas ovelhas, em Timna, ele e seu amigo Hira, o adulamita. 13 E o comunicaram a Tamar: Eis que o teu sogro sobe a Timna, para tosquiar as ovelhas. 14 Então, ela despiu as vestes de sua viuvez, e, cobrindo-se com um véu, se disfarçou, e se assentou à entrada de Enaim, no caminho de Timna; pois via que Selá já era homem, e ela não lhe fora dada por mulher. 15 Vendo-a Judá, teve-a por meretriz; pois ela havia coberto o rosto. 16 Então, se dirigiu a ela no caminho e lhe disse: Vem, deixa-me possuir-te; porque não sabia que era a sua nora. Ela respondeu: Que me darás para coabitares comigo? 17 Ele respondeu: Enviar-te-ei um cabrito do rebanho. Perguntou ela: Dar-me-ás penhor até que o mandes? 18 Respondeu ele: Que penhor te darei? Ela disse: O teu selo, o teu cordão e o cajado que seguras. Ele, pois, lhos deu e a possuiu; e ela concebeu dele. 19 Levantou-se ela e se foi; tirou de sobre si o véu e tornou às vestes da sua viuvez. 20 Enviou Judá o cabrito, por mão do adulamita, seu amigo, para reaver o penhor da mão da mulher; porém não a encontrou. 21 Então, perguntou aos homens daquele lugar: Onde está a prostituta cultual que se achava junto ao caminho de Enaim? Responderam: Aqui não esteve meretriz nenhuma. 22 Tendo voltado a Judá, disse: Não a encontrei; e também os homens do lugar me disseram: Aqui não esteve prostituta cultual nenhuma. 23 Respondeu Judá: Que ela o guarde para si, para que não nos tornemos em opróbrio; mandei-lhe, com efeito, o cabrito, todavia, não a achaste. 24 Passados quase três meses, foi dito a Judá: Tamar, tua nora, adulterou, pois está grávida. Então, disse Judá: Tirai-a fora para que seja queimada. 25 Em tirando-a, mandou ela dizer a seu sogro: Do homem de quem são estas coisas eu concebi. E disse mais: Reconhece de quem é este selo, e este cordão, e este cajado. 26 Reconheceu-os Judá e disse: Mais justa é ela do que eu, porquanto não a dei a Selá, meu filho. E nunca mais a possuiu. 27 E aconteceu que, estando ela para dar à luz, havia gêmeos no seu ventre. 28 Ao nascerem, um pôs a mão fora, e a parteira, tomando-a, lhe atou um fio encarnado e disse: Este saiu primeiro. 29 Mas, recolhendo ele a mão, saiu o outro; e ela disse: Como rompeste saída? E lhe chamaram Perez. 30 Depois, lhe saiu o irmão, em cuja mão estava o fio encarnado; e lhe chamaram Zera.
Judá encontrou uma esposa cananeia (Gn 38:2) com quem teve três filhos, Er, Onã e Selá. Judá deu a cananeia Tamar como esposa a Er, seu primogênito, a fim de garantir a genealogia própria. Quando Er e Onã foram mortos por Deus por causa da maldade deles, Judá prometeu seu último filho, Selá, a Tamar.
Quando, depois de algum tempo, Judá parecia ter esquecido essa promessa, indo se consolar após a morte da esposa, Tamar decidiu disfarçar- se de prostituta para forçá-lo a cumprir sua promessa. Como Judá não tinha dinheiro para pagar a prostituta, a quem não reconheceu, prometeu enviar a ela mais tarde um cabrito de seu rebanho.
Tamar, por sua vez, exigiu que lhe desse como garantia imediata de pagamento o seu selo, o seu cordão e o seu cajado. Tamar engravidou como resultado desse encontro único. Quando mais tarde foi acusada de se prostituir, mostrou ao acusador Judá seu selo, seu cordão e seu cajado. Judá entendeu e se desculpou.
A conclusão dessa história sórdida foi o nascimento de Perez, que significa “irromper”, o qual, de modo semelhante a Jacó, foi o segundo gêmeo a nascer mas acabou se tornando o primeiro e foi nomeado na história da salvação como o ancestral de Davi (Rt 4:18-22) e, finalmente, de Jesus Cristo (Mt 1:3). Quanto a Tamar, ela é a primeira das quatro mulheres, seguida por Raabe, Rute e a esposa de Urias (Mt 1:5, 6), que, na genealogia, precederam Maria, a mãe de Jesus (Mt 1:16). Uma lição que tiramos dessa história: assim como Deus salvou Tamar por Sua graça, transformando o mal em bem, Ele salvará Seu povo por meio da cruz de Jesus. No caso de José, Ele transformou seus problemas na salvação de Jacó e seus filhos.
Quarta, 08 de junho Ano Bíblico: Jó 20, 21 José, um escravo no Egito
Agora retomamos o fluxo da história de José, que tinha sido “interrompido” pelo incidente de Tamar. José trabalhava como escravo do “comandante da guarda”, que era encarregado da prisão dos oficiais reais (Gn 40:3, 4; 41:10-12).
4. Leia Gênesis 39. À luz do exemplo de José como mordomo de Potifar, o que o levou a esse êxito?
Gn 39:1 José foi levado ao Egito, e Potifar, oficial de Faraó, comandante da guarda, egípcio, comprou-o dos ismaelitas que o tinham levado para lá. 2 O SENHOR era com José, que veio a ser homem próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio. 3 Vendo Potifar que o SENHOR era com ele e que tudo o que ele fazia o SENHOR prosperava em suas mãos, 4 logrou José mercê perante ele, a quem servia; e ele o pôs por mordomo de sua casa e lhe passou às mãos tudo o que tinha. 5 E, desde que o fizera mordomo de sua casa e sobre tudo o que tinha, o SENHOR abençoou a casa do egípcio por amor de José; a bênção do SENHOR estava sobre tudo o que tinha, tanto em casa como no campo. 6 Potifar tudo o que tinha confiou às mãos de José, de maneira que, tendo-o por mordomo, de nada sabia, além do pão com que se alimentava. José era formoso de porte e de aparência. 7 Aconteceu, depois destas coisas, que a mulher de seu senhor pôs os olhos em José e lhe disse: Deita-te comigo. 8 Ele, porém, recusou e disse à mulher do seu senhor: Tem-me por mordomo o meu senhor e não sabe do que há em casa, pois tudo o que tem me passou ele às minhas mãos. 9 Ele não é maior do que eu nesta casa e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porque és sua mulher; como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus? 10 Falando ela a José todos os dias, e não lhe dando ele ouvidos, para se deitar com ela e estar com ela, 11 sucedeu que, certo dia, veio ele a casa, para atender aos negócios; e ninguém dos de casa se achava presente. 12 Então, ela o pegou pelas vestes e lhe disse: Deita-te comigo; ele, porém, deixando as vestes nas mãos dela, saiu, fugindo para fora. 13 Vendo ela que ele fugira para fora, mas havia deixado as vestes nas mãos dela, 14 chamou pelos homens de sua casa e lhes disse: Vede, trouxe-nos meu marido este hebreu para insultar-nos; veio até mim para se deitar comigo; mas eu gritei em alta voz. 15 Ouvindo ele que eu levantava a voz e gritava, deixou as vestes ao meu lado e saiu, fugindo para fora. 16 Conservou ela junto de si as vestes dele, até que seu senhor tornou a casa. 17 Então, lhe falou, segundo as mesmas palavras, e disse: O servo hebreu, que nos trouxeste, veio ter comigo para insultar-me; 18 quando, porém, levantei a voz e gritei, ele, deixando as vestes ao meu lado, fugiu para fora. 19 Tendo o senhor ouvido as palavras de sua mulher, como lhe tinha dito: Desta maneira me fez o teu servo; então, se lhe acendeu a ira. 20 E o senhor de José o tomou e o lançou no cárcere, no lugar onde os presos do rei estavam encarcerados; ali ficou ele na prisão. 21 O SENHOR, porém, era com José, e lhe foi benigno, e lhe deu mercê perante o carcereiro; 22 o qual confiou às mãos de José todos os presos que estavam no cárcere; e ele fazia tudo quanto se devia fazer ali. 23 E nenhum cuidado tinha o carcereiro de todas as coisas que estavam nas mãos de José, porquanto o SENHOR era com ele, e tudo o que ele fazia o SENHOR prosperava.
Quase imediatamente, José foi considerado alguém de sucesso (Gn 39:2, 3). Ele era tão bom e seu senhor confiava tanto nele que “lhe passou às mãos tudo o que tinha” e até o fez “mordomo de sua casa” (Gn 39:4).
O sucesso de José, no entanto, não o corrompeu. Quando a esposa de Potifar o percebeu e quis dormir com ele, José se recusou e preferiu perder o emprego e sua segurança a cometer tamanha maldade e pecar contra Deus (Gn 39:9). A mulher, humilhada com a recusa de José, relatou falsamente a seus servos e a seu marido que José quis tomá-la a força. Como resultado, José foi lançado na prisão.
Ele viveu o que todos nós por vezes vivemos: o sentimento de abandono por Deus, embora, mesmo nesse momento difícil, “o Senhor, porém, estava com José” (Gn 39:21).
Deus agiu e impactou o relacionamento de José com o oficial da prisão. Ali, bem como na casa de seu senhor, Deus abençoou José. Ele era obviamente um homem talentoso e, apesar das circunstâncias ainda piores (afinal, antes, ele era um escravo!), procurou tirar o melhor proveito disso. No entanto, não importavam quais fossem seus dons, o texto deixa claro que, foi somente Deus que lhe trouxe o sucesso. “O carcereiro não se preocupava com nada do que tinha sido entregue às mãos de José, porque o Senhor estava com ele, e tudo o que ele fazia o Senhor prosperava” (Gn 39:23). Quão importante é que todos os que são talentosos, que têm “sucesso”, se lembrem de onde tudo vem!

Leia Gênesis 39:7-12.
Gn 39:7 Aconteceu, depois destas coisas, que a mulher de seu senhor pôs os olhos em José e lhe disse: Deita-te comigo. 8 Ele, porém, recusou e disse à mulher do seu senhor: Tem-me por mordomo o meu senhor e não sabe do que há em casa, pois tudo o que tem me passou ele às minhas mãos. 9 Ele não é maior do que eu nesta casa e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porque és sua mulher; como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus? 10 Falando ela a José todos os dias, e não lhe dando ele ouvidos, para se deitar com ela e estar com ela, 11 sucedeu que, certo dia, veio ele a casa, para atender aos negócios; e ninguém dos de casa se achava presente. 12 Então, ela o pegou pelas vestes e lhe disse: Deita-te comigo; ele, porém, deixando as vestes nas mãos dela, saiu, fugindo para fora.

Como José resistiu aos avanços da esposa de Potifar? Por que ele disse que fazer o que ela pedia seria um pecado contra Deus? Que compreensão José mostrou sobre a natureza do pecado?

Quinta, 09 de junho Ano Bíblico: Jó 22-24 Os sonhos do Faraó
5. Leia Gênesis 40:1–41:36. Como os sonhos do Faraó se relacionam com os sonhos dos oficiais? Qual é o significado desse paralelo?
Gn 40:1 Passadas estas coisas, aconteceu que o mordomo do rei do Egito e o padeiro ofenderam o seu senhor, o rei do Egito. 2 Indignou-se Faraó contra os seus dois oficiais, o copeiro-chefe e o padeiro-chefe. 3 E mandou detê-los na casa do comandante da guarda, no cárcere onde José estava preso. 4 O comandante da guarda pô-los a cargo de José, para que os servisse; e por algum tempo estiveram na prisão. 5 E ambos sonharam, cada um o seu sonho, na mesma noite; cada sonho com a sua própria significação, o copeiro e o padeiro do rei do Egito, que se achavam encarcerados. 6 Vindo José, pela manhã, viu-os, e eis que estavam turbados. 7 Então, perguntou aos oficiais de Faraó, que com ele estavam no cárcere da casa do seu senhor: Por que tendes, hoje, triste o semblante? 8 Eles responderam: Tivemos um sonho, e não há quem o possa interpretar. Disse-lhes José: Porventura, não pertencem a Deus as interpretações? Contai-me o sonho. 9 Então, o copeiro-chefe contou o seu sonho a José e lhe disse: Em meu sonho havia uma videira perante mim. 10 E, na videira, três ramos; ao brotar a vide, havia flores, e seus cachos produziam uvas maduras. 11 O copo de Faraó estava na minha mão; tomei as uvas, e as espremi no copo de Faraó, e o dei na própria mão de Faraó. 12 Então, lhe disse José: Esta é a sua interpretação: os três ramos são três dias; 13 dentro ainda de três dias, Faraó te reabilitará e te reintegrará no teu cargo, e tu lhe darás o copo na própria mão dele, segundo o costume antigo, quando lhe eras copeiro. 14 Porém lembra-te de mim, quando tudo te correr bem; e rogo-te que sejas bondoso para comigo, e faças menção de mim a Faraó, e me faças sair desta casa; 15 porque, de fato, fui roubado da terra dos hebreus; e, aqui, nada fiz, para que me pusessem nesta masmorra. 16 Vendo o padeiro-chefe que a interpretação era boa, disse a José: Eu também sonhei, e eis que três cestos de pão alvo me estavam sobre a cabeça; 17 e no cesto mais alto havia de todos os manjares de Faraó, arte de padeiro; e as aves os comiam do cesto na minha cabeça. 18 Então, lhe disse José: A interpretação é esta: os três cestos são três dias; 19 dentro ainda de três dias, Faraó te tirará fora a cabeça e te pendurará num madeiro, e as aves te comerão as carnes. 20 No terceiro dia, que era aniversário de nascimento de Faraó, deu este um banquete a todos os seus servos; e, no meio destes, reabilitou o copeiro-chefe e condenou o padeiro-chefe. 21 Ao copeiro-chefe reintegrou no seu cargo, no qual dava o copo na mão de Faraó; 22 mas ao padeiro-chefe enforcou, como José havia interpretado. 23 O copeiro-chefe, todavia, não se lembrou de José, porém dele se esqueceu.

Gn 41:1 Passados dois anos completos, Faraó teve um sonho. Parecia-lhe achar-se ele de pé junto ao Nilo. 2 Do rio subiam sete vacas formosas à vista e gordas e pastavam no carriçal. 3 Após elas subiam do rio outras sete vacas, feias à vista e magras; e pararam junto às primeiras, na margem do rio. 4 As vacas feias à vista e magras comiam as sete formosas à vista e gordas. Então, acordou Faraó. 5 Tornando a dormir, sonhou outra vez. De uma só haste saíam sete espigas cheias e boas. 6 E após elas nasciam sete espigas mirradas, crestadas do vento oriental. 7 As espigas mirradas devoravam as sete espigas grandes e cheias. Então, acordou Faraó. Fora isto um sonho. 8 De manhã, achando-se ele de espírito perturbado, mandou chamar todos os magos do Egito e todos os seus sábios e lhes contou os sonhos; mas ninguém havia que lhos interpretasse. 9 Então, disse a Faraó o copeiro-chefe: Lembro-me hoje das minhas ofensas. 10 Estando Faraó mui indignado contra os seus servos e pondo-me sob prisão na casa do comandante da guarda, a mim e ao padeiro-chefe, 11 tivemos um sonho na mesma noite, eu e ele; sonhamos, e cada sonho com a sua própria significação. 12 Achava-se conosco um jovem hebreu, servo do comandante da guarda; contamos-lhe os nossos sonhos, e ele no-los interpretou, a cada um segundo o seu sonho. 13 E como nos interpretou, assim mesmo se deu: eu fui restituído ao meu cargo, o outro foi enforcado. 14 Então, Faraó mandou chamar a José, e o fizeram sair à pressa da masmorra; ele se barbeou, mudou de roupa e foi apresentar-se a Faraó. 15 Este lhe disse: Tive um sonho, e não há quem o interprete. Ouvi dizer, porém, a teu respeito que, quando ouves um sonho, podes interpretá-lo. 16 Respondeu-lhe José: Não está isso em mim; mas Deus dará resposta favorável a Faraó. 17 Então, contou Faraó a José: No meu sonho, estava eu de pé na margem do Nilo, 18 e eis que subiam dele sete vacas gordas e formosas à vista e pastavam no carriçal. 19 Após estas subiam outras vacas, fracas, mui feias à vista e magras; nunca vi outras assim disformes, em toda a terra do Egito. 20 E as vacas magras e ruins comiam as primeiras sete gordas; 21 e, depois de as terem engolido, não davam aparência de as terem devorado, pois o seu aspecto continuava ruim como no princípio. Então, acordei. 22 Depois, vi, em meu sonho, que sete espigas saíam da mesma haste, cheias e boas; 23 após elas nasceram sete espigas secas, mirradas e crestadas do vento oriental. 24 As sete espigas mirradas devoravam as sete espigas boas. Contei-o aos magos, mas ninguém houve que mo interpretasse. 25 Então, lhe respondeu José: O sonho de Faraó é apenas um; Deus manifestou a Faraó o que há de fazer. 26 As sete vacas boas serão sete anos; as sete espigas boas, também sete anos; o sonho é um só. 27 As sete vacas magras e feias, que subiam após as primeiras, serão sete anos, bem como as sete espigas mirradas e crestadas do vento oriental serão sete anos de fome. 28 Esta é a palavra, como acabo de dizer a Faraó, que Deus manifestou a Faraó que ele há de fazer. 29 Eis aí vêm sete anos de grande abundância por toda a terra do Egito. 30 Seguir-se-ão sete anos de fome, e toda aquela abundância será esquecida na terra do Egito, e a fome consumirá a terra; 31 e não será lembrada a abundância na terra, em vista da fome que seguirá, porque será gravíssima. 32 O sonho de Faraó foi dúplice, porque a coisa é estabelecida por Deus, e Deus se apressa a fazê-la. 33 Agora, pois, escolha Faraó um homem ajuizado e sábio e o ponha sobre a terra do Egito. 34 Faça isso Faraó, e ponha administradores sobre a terra, e tome a quinta parte dos frutos da terra do Egito nos sete anos de fartura. 35 Ajuntem os administradores toda a colheita dos bons anos que virão, recolham cereal debaixo do poder de Faraó, para mantimento nas cidades, e o guardem. 36 Assim, o mantimento será para abastecer a terra nos sete anos da fome que haverá no Egito; para que a terra não pereça de fome.

O caráter providencial dos eventos continua. Com o tempo, José foi encarregado dos prisioneiros, dois dos quais eram ex-oficiais de Faraó, um copeiro e um padeiro (Gn 41:9-11). Ambos estavam perturbados por sonhos que não compreendiam, porque não havia quem o interpretasse (Gn 40:8). José, então, interpretou seus respectivos sonhos.
Faraó também teve dois sonhos, que ninguém podia interpretar (Gn 41:1-8). Naquele momento, o copeiro lembrou-se de José e o recomendou ao governante (Gn 41:9-13).
Paralelamente aos outros sonhos, Faraó, como os oficiais, estava perturbado e, também como eles, revelou seus sonhos (Gn 41:14-24) a José, que os interpretou. Da mesma forma que os sonhos dos oficiais, os de Faraó exibiam símbolos paralelos: as duas séries de sete vacas (gordas e magras), assim como as duas séries de espigas (boas e mirradas) representavam duas séries de anos, bons e ruins, respectivamente. As sete vacas eram paralelas às sete espigas, repetindo a mesma mensagem, uma evidência de sua origem divina, assim como os sonhos de José (Gn 41:32; compare com Gn 37:9).
Embora José tenha interpretado o sonho para Faraó, ele garantiu ao soberano que a interpretação era de Deus, Elohim, que mostrou ao rei as coisas que Ele iria fazer (Gn 41:25, 28). Parece que o monarca entendeu a mensagem porque, quando decidiu nomear alguém para governar a terra, seu argumento foi o seguinte: “Visto que Deus revelou tudo isto a você, não há ninguém tão ajuizado e sábio como você. Você será o administrador da minha casa, e todo o meu povo obedecerá à sua palavra. Somente no trono eu serei maior do que você” (Gn 41:39, 40).
Que fascinante! Com a graça de Deus, José saiu da posição de mordomo da casa de Potifar para se tornar chefe da prisão e depois governante de todo o Egito. Que história poderosa de como, mesmo em meio ao que pareciam circunstâncias terríveis, as providências divinas se revelaram.

Como podemos aprender a confiar em Deus e nos apegar às Suas promessas quando os eventos não parecem nada providenciais, e Deus parece estar em silêncio?
Sexta, 10 de junho Ano Bíblico: Jó 25-28 Estudo adicional
Leia, de Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 174-182 [213-223] (“José no Egito”).
“No princípio de sua vida, exatamente quando passavam da adolescência para a idade adulta, José e Daniel foram separados de seus lares e levados como cativos a países pagãos. José esteve sujeito especialmente às tentações que acompanham grandes mudanças na vida. Na casa paterna, uma criança mimada; na casa de Potifar, escravo, depois confidente e companheiro, homem de negócios, educado pelo estudo, pela observação e pelo contato com os homens; no calabouço de Faraó, prisioneiro de Estado, condenado injustamente, sem esperança de reivindicação ou perspectiva de libertação; chamado em uma grande crise para dirigir a nação – o que o habilitou a preservar sua integridade? [...]
“Em sua infância, a José havia sido ensinado o amor e temor a Deus. Muitas vezes, na tenda de seu pai, sob as estrelas da Síria, foi contada a ele a história da visão noturna de Betel, da escada do Céu à Terra e dos anjos que por ela desciam e subiam, e Daquele que, do trono no alto, Se revelou a Jacó. Fora-lhe contada a história do conflito ao lado do rio Jaboque, quando, renunciando a pecados cultivados, Jacó se tornou conquistador e recebeu o título de príncipe com Deus. [...]
“No momento crítico de sua vida, quando fazia aquela terrível viagem do lar de sua infância em Canaã para o cativeiro que o esperava no Egito, olhando pela última vez as colinas que ocultavam as tendas de sua parentela, José se lembrou do Deus de seu pai. Recordou-se das lições da infância, e seu coração comoveu-se com a resolução de mostrar-se verdadeiro – agindo sempre como convém a um súdito do Rei celestial” (Ellen G. White, Educação, p. 36, 37 [51, 52]).

Perguntas para consideração:

1 Quais são as semelhanças de José e Daniel com Jesus? Eles representaram Jesus?

2 Como confiar em Deus quando não temos aparentemente o mesmo sucesso de José?

Respostas e atividades da semana:

1 Jacó privilegiava José, por ser seu filho favorito.

2 Podemos cometer coisas que jamais imaginamos que poderíamos fazer. Devemos rogar a Deus para mudar nosso caráter.

3 Tamar foi mais justa, pois Judá deixou de cumprir sua promessa para com Tamar.

4 Deus era com ele. José temia a Deus, era confiável e fazia o melhor que podia.

5 Como os sonhos dos oficiais, os sonhos de Faraó exibiram símbolos paralelos: duas séries de sete vacas (gordas e magras) e duas séries de espigas (boas e mirradas), que representavam duas séries de anos, bons e ruins. As sete vacas eram paralelas às sete espigas, repetindo a mesma mensagem, uma evidência de sua origem divina.

Notas de Ellen G. White Vídeo disponível em espanhol:

NOTAS DE ELENA G. WHITE
















Auxiliar Resumo da Lição 11 ESBOÇO Introdução: Embora José fosse um dos filhos de Jacó, ele se destacou como uma grande figura patriarcal, semelhante a Abraão, Isaque e Jacó. José ocupa mais espaço no livro de Gênesis do que qualquer um dos três patriarcas. As histórias de José contrastam com as histórias anteriores de estupro, assassinato e prostituição. Ao contrário dos outros patriarcas que frequentemente tropeçavam e se comportavam mal, José permaneceu puro e compassivo. Como o profeta Daniel, José foi um profeta e homem sábio e se comportou de forma inteligente, encontrando as soluções certas para os problemas políticos e econômicos. Mas ele também foi um profeta que recebeu as revelações divinas para comunicar ao Seu povo. José não apenas recebeu sonhos de Deus, mas também foi capaz de interpretar os sonhos de outras pessoas, desde a prisão até a corte do Faraó. Ele representa a pessoa justa por excelência. Sobreviveu ao crime, ao engano e à violência. Deus derrotou os atos do mal e as armadilhas dirigidas a José e os usou para cumprir Seus desígnios. De fato, nosso Pai transformou todos os atos iníquos em oportunidades para promover José. Em cada situação, José surgia mais forte, fosse da cisterna, da escravidão, da prisão ou da corte do Faraó. A bênção divina para José não era apenas para sua felicidade, mas por meio dele a bênção de Deus a Abraão seria cumprida (compare Gn 12:3; 22:18). Por meio dele, não apenas a família de Israel, mas todas as nações seriam abençoadas e salvas.

COMENTÁRIO

Os sonhos de José

O fato de que José recebia sonhos de Deus era humilhante para seus irmãos; os sonhos eram um sinal divino de sua superioridade “espiritual”. Quando ele contou seus sonhos aos irmãos por causa do desejo ingênuo de compartilhar com eles a intrigante revelação, eles ficaram irritados e o odiaram ainda mais. A razão para sua raiva crescente foi que haviam entendido com bastante clareza o significado do primeiro sonho (Gn 37:8). Como pastores e pessoas que viviam da terra, entenderam o significado dos feixes, que relembravam a produção de alimentos básicos. O fato de seus feixes terem se curvado diante do feixe de seu irmão (Gn 37:7) sugeria que um dia eles seriam economicamente dependentes dele e até mesmo se comportariam como seus servos para esse propósito. A repetição de sonhos com a mesma mensagem confirmava sua veracidade e era um sinal de que esses sonhos vinham de Deus (Gn 41:32). Jacó interpretou os símbolos do Sol, da Lua e das 11 estrelas como se referindo, respectivamente, ao pai (ele mesmo), à mãe (sua esposa) e a seus 11 filhos (Gn 37:10). Jacó, portanto, entendeu que os sonhos se aplicavam à sua família e que um dia todos eles se prostrariam diante de José. Embora Jacó repreendesse José, ou pretendesse repreendê- lo (porque estava na presença do restante de sua família), ficou intrigado com o sonho e secretamente ponderou sobre isso, ansioso para ver seu cumprimento (Gn 37:10, 11).

No entanto, os irmãos ficaram preocupados e com ciúmes (Gn 37:11), porque sentiam que o sonho os ameaçava. Por isso, aproveitaram a primeira oportunidade para eliminar o sonhador. A ocasião se apresentou quando Jacó enviou José para visitar seus irmãos no campo. Quando o viram, ficaram entusiasmados antes mesmo que os alcançasse, pois perceberam que aquela era sua oportunidade de matá-lo (Gn 37:18). As exortações plurais dos irmãos (Gn 37:20) lembram as exortações plurais dos homens de Babel (Gn 11:3, 4), sugerindo uma mentalidade e atitude semelhantes. Como os homens de Babel, os irmãos assumiram o lugar de Deus e pretenderam determinar seu próprio destino e o de seu irmão. Os irmãos de José queriam matá-lo, não porque ele contasse más notícias sobre eles a seu pai nem porque tinham ciúmes dele, mas por causa de seus sonhos. A expressão hebraica que usaram para qualificá-lo é irônica: ba’al hakhalomot, que é traduzida como “sonhador” (Gn 37:19) e significa literalmente “mestre dos sonhos”.

No entanto, o que era para ser uma zombaria se tornou profético, porque José foi, de fato, um especialista na interpretação de sonhos. Embora estivesse sozinho e enfrentando perigo, a cada passo de sua jornada cheia de problemas, alguém inesperadamente intervinha em seu nome. Quando os irmãos planejaram matar José, Rúben os convenceu a jogá-lo em uma cisterna. Quando José foi lançado na cisterna, quando pensava que seria morto, Judá convenceu seus irmãos a vendê-lo para uma caravana que passava. Os irmãos queriam matar José porque se sentiam ameaçados por seus sonhos. O plano deles era matá-lo e depois lançar seu cadáver em uma cisterna (Gn 37:20). A cena dos irmãos sentados para comer enquanto José jazia em uma cisterna vazia, sem água (Gn 37:24), antecipa, ironicamente, a situação inversa em que José estaria bem alimentado enquanto seus irmãos estariam com fome e ameaçados por ela (Gn 42:2, 33; 43:1, 2; 44:1; 45:17, 18). A expressão técnica “levantando os olhos, viram” (Gn 37:25) marca a antecipação da intervenção divina para salvar (ver Gn 18:2; 22:13). A visão da caravana antecipa a salvação de José. Foi, de fato, providencial que a caravana tivesse aparecido naquele exato momento.

Judá foi o único que agiu com êxito em nome de José contra seus irmãos. Enquanto Rúben só pôde “ouvir” seus irmãos planejando matar José, Judá foi “ouvido” por eles, que foram convencidos por seus argumentos. Enquanto Rúben conseguiu apenas atrasar o assassinato, Judá foi capaz de salvar José para sempre das mãos de seus irmãos e desencadear o processo que levaria não apenas ao resgate de José naquele momento, mas também à futura salvação da família de Jacó e do Egito.

Judá, José e o Messias

Após a venda de José, Judá não mais se sentia confortável morando com seus irmãos e preferiu se dissociar deles. O desacordo de Judá com os demais deve ter começado antes, quando usou o argumento do parentesco contra eles (“é nosso irmão, é do nosso sangue”) para impedi-los de matar José (Gn 37:27). A consciência de Judá sempre foi forte e ativa, como evidenciado mais tarde em seu apelo por Benjamim (Gn 44:18-34). Além disso, a frase que descreve Judá como alguém que “desceu” (Gn 38:1, ARC) ecoa a descrição de José como alguém que “desceu” ao Egito (ver Gn 37:25, 35; 39:1).

Esse paralelo sugere que o movimento de Judá “para baixo” foi de alguma forma solidário à condição de José, já que este foi levado para o Egito. É por isso que a história do incidente de Judá com sua nora Tamar, que aconteceu imediatamente após a venda de José e sua chegada à casa egípcia de Potifar (Gn 38:1), pertence à sequência de eventos. Não apenas os eventos relatados no capítulo 38 seguem, em ordem cronológica, os eventos registrados no capítulo 37, conforme claramente indicado na fórmula introdutória, “por esse tempo” (Gn 38:1); os dois capítulos também compartilham paralelos linguísticos e temáticos: as mesmas palavras, “veja se é ou não” (Gn 37:32) e “veja se reconhece de quem é” (Gn 38:25); e a mesma referência a um “cabrito” (Gn 37:31, ACF; 38:17). Mais importante, as duas passagens transmitem a mesma lição teológica fundamental: elas testificam do mesmo poder providencial que prevalece para o bem do povo de Deus sobre os atos humanos perversos. A má conduta de Judá se transformou em um evento positivo, levando à salvação de Israel. O sórdido encontro sexual entre ele e Tamar não só resultaria no resgate dela, como também geraria o ancestral de Davi e, portanto, do Messias de Israel, o Salvador do mundo.

Sonhos de egípcios

Quando José foi posto no comando dos prisioneiros, conheceu o copeiro e o padeiro do Faraó, que estavam perturbados por sonhos que não conseguiam entender (Gn 40:1-8). José interpretou os sonhos como previsões do que aconteceria com eles no futuro: o sonho do copeiro significava que ele seria restaurado à sua posição anterior (Gn 40:9-15), enquanto o sonho do padeiro significava que ele seria enforcado (Gn 40:16-19). O capítulo termina com o relato do cumprimento desses sonhos (Gn 40:20-23), confirmando assim a veracidade dos sonhos e sua correta interpretação por parte de José.

Após os dois sonhos dos altos oficiais, o Faraó também teve dois sonhos, que ninguém podia interpretar (Gn 41:1-7). O copeiro-chefe, que de repente se lembrou de José, o recomendou ao Faraó (Gn 41:8-13). Apresentava-se, então, o mesmo cenário de antes. Como nos dois casos anteriores, o Faraó relatou seus sonhos a José (Gn 41:14-24), que os interpretou como uma mensagem divina a respeito do futuro econômico do Egito e aconselhou o rei sobre como administrar a situação (Gn 41:25-36). Impressionado com a sabedoria de José, o Faraó o promoveu e lhe confiou a administração do país (Gn 41:37-46). José administrou os grãos coletados e organizou a sobrevivência econômica do mundo (Gn 41:47-57).

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Os sonhos de José. Leia e discuta Jeremias 28:8, 9. Por que a verdade é sempre ameaçadora? Que reações você tem quando lê uma passagem nas Escrituras e nos escritos de Ellen White que o perturba e desafia suas escolhas ou opiniões? Quais critérios você usa para determinar se o profeta fala a verdade? Encontre histórias em sua vida em que uma experiência dolorosa o tenha levado a uma descoberta importante ou a um novo evento de significado redentivo. Aplique essa observação a Jesus Cristo: discuta como e por que a cruz foi necessária para a salvação da humanidade.

Judá, José e o Messias. Discuta com sua classe a conexão entre o resgate de José por Judá e o encontro de Judá com Tamar, levando à descendência messiânica. O que os paralelos entre essas duas histórias nos ensinam sobre a maneira de Deus trabalhar na história e na existência humanas? Reflita sobre sua própria vida: Quais são algumas das falhas e lutas de seu passado que Deus usou para Sua glória? O que essas experiências lhe ensinam sobre Ele? Como essas experiências o ajudam com as lutas e dúvidas que você enfrenta no presente?

Sonhos de egípcios. Que lições missiológicas podemos aprender com o exemplo de José na prisão? Que método de comunicação ele usou em sua relação com seus companheiros de prisão e com o Faraó? Por que é importante testemunhar aos líderes do mundo? Que mensagem espiritual podemos transmitir por meio da qualidade de nosso trabalho?


Informativo Proposta inesperada
Meu nome é Esmeralda, meu pai pertence a uma denominação cristã e minha mãe pertence a outra religião. Todos moramos na capital de Angola, Luanda. Quando criança, aos domingos, eu revezava entre ir à igreja do meu pai e a congregação da minha mãe. Mas, aos 18 anos, deixei de frequentar as duas igrejas. Deixei de cantar no coral da igreja da minha mãe e de participar das atividades dos jovens na igreja do meu pai.

“Por que não me acompanha mais na igreja?”, mamãe perguntou. “Eu não me sinto à vontade”, foi minha resposta. “Então encontre uma igreja onde você se sinta bem. Dê uma chance para Deus”, ela me aconselhou. Mas eu estava mais interessada em dar uma chance ao mundo. Quando minha irmã mais velha ficou noiva, ela e o noivo receberam aconselhamento pré-matrimonial de um pastor adventista. Então, decidiram frequentar a igreja adventista depois de casados; e minha irmã começou a enviar constantemente sermões e versos bíblicos.

Então, uma série de eventos incomuns aconteceram. Uma amiga me incentivou a entregar o coração a Deus. Eu sabia que ela orava por mim e suas palavras tocaram meu coração. Naquela mesma semana, outra amiga pediu que eu vivesse para Deus. “O mundo não é bom”, ela disse. “Entregue-se a Deus!” Em seguida, orou comigo e pediu a Deus que enviasse para mim um bom marido e temente a Deus. Suas palavras tocaram meu coração. Alguns dias depois, minha irmã mais velha me disse que se sentiu repreendida por Deus. “O Senhor diz que se eu não avisá-la, seu sangue será exigido de mim”, disse ela, e leu Ezequiel 3:18-19, onde o Senhor diz:

“Quando eu disser a um ímpio que ele vai morrer, e você não o advertir nem lhe falar para dissuadi-lo dos seus maus caminhos para salvar a vida dele, aquele ímpio morrerá por sua iniquidade; mas para Mim você será responsável pela morte dele. Se, porém, você advertir o ímpio e ele não se desviar de sua impiedade ou dos seus maus caminhos, ele morrerá por sua iniquidade, mas você estará livre de culpa.”

Meu coração acelerou enquanto ela falava. Tentei me defender, lembrando-a de que eu ia à igreja. Porém, minha irmã disse: “Mas, você não se sente bem lá. Vá à igreja adventista. Vá a alguma igreja da cidade. Dê uma chance.” Prometi a ela que iria à igreja adventista no sábado seguinte. Mas, não fui porque recebi uma proposta de emprego. Trabalhei nos três sábados seguintes. Quando minha irmã ligou para perguntar sobre a igreja, expliquei que estava ocupada com o trabalho. “Alguns empregos não são bênçãos de Deus”, ela respondeu. “Você trabalha muito para nada. Você precisa deixar o trabalho de lado e colocar Deus em primeiro lugar.”

Eu não sabia o que fazer, mas deixei de trabalhar – não por escolha própria, mas porque adoeci. Na clínica, o médico me conhecia porque ele havia sido meu médico durante quatro anos. Nós tínhamos um bom relacionamento médico-paciente. Mas desta vez ele me surpreendeu. Durante uma consulta, de repente, ele pediu minha mão em casamento. Ele nunca havia mostrado interesse pessoal antes, e eu nunca pensei nele como esposo. Mas quando ele fez a proposta, gostei da ideia de ser sua esposa.

“Eu gostaria de casar com você”, respondi prontamente. Ele sorriu. “Sou adventista do sétimo dia, e gostaria que minha esposa também seguisse a mesma religião”, ele acrescentou e eu sorri enquanto respondia: “Sem problema.” Eu fui sincera. Muitas coisas inesperadas aconteceram nas semanas seguintes. Duas amigas e minha irmã incentivaram a entregar o coração a Deus. Uma amiga orou para que encontrasse um marido temente a Deus e minha irmã pediu que visitasse a igreja adventista. Agora, um médico adventista me pediu em casamento e para tornar-me adventista. Eu não pude resistir mais ao chamado de Deus. Entrei na classe batismal.

Hoje sou adventista. Não porque um médico quis casar comigo. Não sou adventista porque minha irmã pediu. Nem sou adventista porque me sinto à vontade na igreja. Sou adventista porque Deus me chamou para me unir a Seu povo que guarda os mandamentos e tem a fé em Jesus. Meu coração é Dele. Parte da oferta trimestral ajudará a construir uma escola adventista em minha cidade natal, Luanda, Angola. Agradecemos por sua liberalidade nas ofertas.

Informações adicionais

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Comentário Lição da Escola Sabatina nº 11/2ºT/2022 Lição da Escola Sabatina
nº 11/2ºT/2022
Autor: Wilian S. Cardoso
Editoração: André Oliveira Santos
andre.oliveira@cpb.com.br
Revisora: Josiéli Nóbrega
A história de José e seus irmãos marca as últimas toldot (“gerações”, “histórias”) do livro de Gênesis. Embora a narrativa principal seja sobre José, essas são as toldot de seu pai Jacó (Gn 37:2), pois, como vimos, os filhos são o fruto máximo da vida de um ser humano da perspectiva bíblica (cf. Gn 3:15). Dos capítulos 37 a 50, José se torna o protagonista da narrativa. Mesmo não sendo listado entre os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, ainda assim ele desempenha um papel de fundador do povo de Deus, visto que sua vida ocupa mais páginas no livro do que qualquer outro relato ou personagem anterior a ele.

Uma das coisas mais interessantes sobre essa narrativa é precisamente a mudança no estilo literário do autor. Ainda que isso não possa ser plenamente percebido na tradução, o texto bíblico tem características que se parecem com uma novela1, tais como a conexão entre os enredos das múltiplas narrativas que compõem a história geral, a ordem sequencial em que o enredo é desenvolvido, o deslocamento dos personagens no espaço (ou seja, os cenários mudam conforme as ações do elenco), a linguagem que acompanha a cultura contemporânea e o fato de que o texto é mais descritivo em relação às ações dos personagens essenciais para o fluxo da história.2

Além disso, a história é recheada de situações dramáticas que envolvem mistério, intrigas, rivalidade entre irmãos, tentativas de assassinato, escravidão, prisão, humilhação, provações, resiliência, fidelidade, etc. Tudo isso é apresentado como acontecimentos naturais da vida humana sem qualquer explícita teofania ou intervenção divina.

A história de José também é significativa porque serve de ponte entre os patriarcas e o relato do Êxodo, uma vez que ela explica o motivo real da ida dos israelitas para o Egito e de sua escravidão ali. A propósito, a celebração do ritual da moderna Páscoa judaica é sempre iniciada pelo ato de mergulhar um vegetal chamado karpas (“linho”, “algodão”; cf. Et 1:6) em água com sal, o que, segundo os estudiosos da cultura judaica é uma referência ao mergulhar das vestes de José no sangue (Gn 37:34), ou seja, o objeto e o evento catalisador de tudo.3

Antes de chegarmos a esse momento, vamos retroceder um pouco. O capítulo anterior (Gn 36) é uma apresentação das gerações de Esaú e o seu estabelecimento na terra de Seir (36:1-8). Em outras palavras, o autor parece estar induzindo o leitor a pensar: “Essas são as bênçãos de descendência e terra prometidas a Abraão, agora conquistadas por Esaú. Mas, e quanto a Jacó? Assim, Gênesis 37 abre com a descrição de que Jacó habitava na terra de Canaã, mas a terra ainda não era sua possessão, além do fato de que sua prole não estava bem estabelecida, precisamente por existirem muitos problemas familiares. Ou seja, a partir de agora o foco dessa nova seção é apresentar o cumprimento das promessas de Deus a Jacó-Israel por meio da vida do personagem escolhido da vez – José. É por isso que um dos temas-chave dessa narrativa é que José é o escolhido (Gn 37:3). Ele é o filho preferido de Jacó e é o preferido de Deus para administrar a situação da fome e salvar Seu povo. Assim, Gênesis 37:1-11 introduz esse tema e o resultado disso para a história do protagonista e, consequentemente, para todo o Israel posteriormente.

Esse favoritismo de José, que ora é estampado em sua própria roupa ora pela descrição de seus sonhos, colocando-o em uma posição mais elevada do que seus irmãos mais velhos, conduziu a trama ao evento derradeiro de vendê-lo como escravo. A ação de seus irmãos primeiramente ao tentar matá-lo e, depois, vendê-lo, nos faz questionar como essas pessoas poderiam se tornar o povo de Deus? E a história seguinte não torna as coisas melhores.

Nesse ponto, precisamente, de clímax e transição, em que José sai de uma posição de príncipe em sua casa para a de escravo em uma terra muito distante, a narrativa é interrompida por outra história, criando um tipo de suspense. Uma espécie de “propaganda” que interrompe a cena marcante do enredo, um recurso que hoje é chamado de cliffhanger [momento de suspense], que é uma interrupção na trama do personagem em uma situação limite a fim de gerar tensão e expectativa intensa antes de apresentar o desfecho chocante que se segue. Porém, apesar de aparecer abruptamente como um recurso literário e de parecer deslocada do restante da história, o breve relato sobre Judá e Tamar serve igualmente para mostrar a falha de Judá em manter sua parte na continuidade da linhagem bendita de Deus. Resumidamente, o relato conta sobre filhos perversos, morte, ilegalidade, cilada, relações nora-sogro e um decreto de morte. É um emaranhado de pecados e resultados desastrosos em um curto relato do qual não parece ser possível tirar nenhuma coisa boa. Mas, na verdade, há algo bom aqui. Esse conto serve também para apresentar um personagem coadjuvante importante dentro da história de José: Judá. Pois foi Judá quem sugeriu vender José (37:26, 27). Ele se tornou o porta-voz dos irmãos (43:3-5, 8-10); igualmente foi ele quem intercedeu por Benjamin, oferecendo sua própria vida no lugar da dele (44:18-34); e, mais tarde, se tornou o filho-guia de Jacó para chegar ao Egito (46:28). Em outras palavras, foi a partir desse momento que Judá começou a ascender na história. Foi quando ele reconheceu seus erros e reformou suas atitudes que, apesar das falhas do passado, ele recebeu as bênçãos de Deus, a tal ponto que, por ações abnegadas e de arrependimento, ele, e não José, recebeu a bênção da primogenitura (49:8-12), que trouxe consigo a esperança da vinda do Messias libertador.

Em contraste com as ações corrompidas de Judá, que estava se aperfeiçoando, José é apresentado imaculado, um herói de caráter incorruptível. Ele foi colocado à prova e passou com louvor, mas as situações que se sucederam em sua vida não correspondem à justiça que ele merecia. Depois de ter sido vendido como escravo, foi acusado e preso injustamente. Quanto mais íntegro ele era, mais fundo ele caía no poço da injustiça. E apesar de tudo isso, o nome de Deus apareceu prontamente em sua boca em cada momento crítico: ao ser tentado sexualmente (39:9), ao interpretar os sonhos (40:8; 41:16), ao testar seus irmãos (42:18) e, finalmente, ao considerar o todo de sua própria história (45:7, 8). Com José aprendemos que as coisas só fazem real sentido quando do topo podemos observar o todo, mas só poderemos olhar o todo se conseguirmos chegar ao topo. E lá no topo, José entendeu que, em cada situação, Deus nunca o tinha abandonado, mas estivera o tempo inteiro preparando o terreno para que ele, um dia, pudesse ser quem ele se tornou.

Portanto, tudo isso foi permitido a fim de mostrar que Deus é capaz de tirar o bem do mal. Da perspectiva mais ampla que a Bíblia nos oferece, percebemos que: os irmãos de José tentaram torná-lo um escravo, mas Deus o transformou em “rei”; Judá cedeu às tentações sexuais de Tamar, mas José resistiu à sedução da esposa de Potifar. A nação de Israel, ainda em fase de crescimento, somente foi poupada porque Deus reajustou as más ações humanas em Seu favor – preservando Seu povo escolhido, bem como cuidando singularmente de cada pessoa de coração voluntário. Assim, enquanto grande parte do pecado envolto nessa história aponta para a graça de Deus em meio ao mal, a bondade de José aponta para o fato de que Deus pode levantar uma pessoa justa das piores situações.

Uma das mais importantes lições da história de José está no fato de que, apesar das dificuldades que todos enfrentamos na vida, devemos manter-nos fiéis à justiça e ao que é correto. Diferentemente dos três patriarcas, Deus não se revelou a ele pessoalmente (e essa é outra marcante característica dessa narrativa – a total ausência da intervenção divina direta), e ainda assim ele se manteve firme e fiel ao Deus de seus pais. E Deus Se manteve fiel a José em toda a sua vida, apesar das situações desagradáveis que lhe sobrevieram. No entanto, José revelou possuir um grande senso do cuidado divino e a certeza de que em tudo a mão condutora de Deus estava guiando os eventos aparentemente injustos e sem sentido da vida.4 Da mesma forma nós, hoje, não podemos dizer que temos uma revelação real de Deus em algum ponto da nossa vida, além do que entendemos pela consulta à Sua Palavra escrita. Como José, nossa narrativa também é sobre um servo que crê em Deus, cuja vida é repleta de problemas e, no entanto, o grande plot twist [reviravolta da história], quando finalmente veremos os “dias de glória” e seremos exaltados de servos/as a príncipes/princesas, depende unicamente da nossa maneira de reagir àquilo que enfrentamos hoje, sejam escolhas pequenas ou grandes. Como temos reagido? Como tem sido nossa consciência do cuidado divino? Entre o certo e o errado, somos parecidos com José?

Referências:

1 LONGMAN III, Tremper. Como Ler Gênesis. São Paulo: Vida Nova, 2009, p. 181.

2 É apenas uma sugestão, mas esse fenômeno pode significar que essa história estava mais próxima, em tempo e local, do autor do que as demais. Daí ser mais desenvolvida e extensa.

3 Cf. MOFFIC, Rabi Evan. “The Hidden Meaning of Karpas” in My Jewish Learning. Disponível em https://www.myjewishlearning.com/article/the-hidden-meaning-of-karpas/, acessado em 31/03/2022.

4 SARNA, Nahum M. Genesis. The JPS Torah Commentary. Philadelphia, PA: Jewish Publication Society, 2001, p. 257.

Conheça o autor dos comentários para este trimestre: Wilian Cardoso é casado com Carem. É pai de Sarah, Noah e de Shai. É bacharel em Teologia e Filosofia, mestre em Interpretação Bíblica e em Estudos do Antigo Oriente Médio. Trabalhou como pastor da Comunidade Judaico-Adventista de Manaus por 8 anos e também como professor de Filosofia e Sociologia. Atualmente trabalha como professor para o Israel Institute of Biblical Studies filiado à Universidade Hebraica de Jerusalém e se dedica à família e à vida acadêmica.